Seção Irmãos no Cinema: Irmãs Wachowski

Publicado em 14 de abril de 2016 | Por Ayrton de Oliveira | Cinema

Bem-vindos a mais uma edição do Irmãos no Cinema, nova seção sobre cinema do Mapingua Nerd. Na semana passada falei um pouco dos Irmãos Lumière e o legado que deixaram para o cinema. Dessa vez vamos dar um pouco de atenção para as Irmãs Wachowski.


As críticas se tornam muito divididas com as obras das irmãs Wachoswski. Começaram a carreira de diretoras com o filme Bound, lançado em 1996. Já no segundo filme das diretoras, lançado em 1999, entrariam para o legado do cinema com um clássico moderno que marcou geração. Estamos falando, é claro, de Matrix.

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Códigos verdes sendo exibidos em um tela negra lembram de cara Matrix (os diferentões lembram de Ghost in the Shell). O filme possui uma assinatura que marcou época. Eu tinha apenas 5 anos quando o filme estreou e lembro da loucura que foi um tempo depois quando o filme chegou nas locadoras. Depois disso, as brincadeiras de luta na infância se resumiriam ao clássico fazer Matrix“, que seria imitar o Neo em uma das cenas mais clássicas do filme. E isso sem mencionar o bullet time que explodiu cabeças quando o filme era assistido pela primeira vez. Até hoje sinto um arrepio de ver as cenas de ação do filme, e as lutas surreais daquele jeito me levam de volta para a infância. Logo, não é segredo que o filme me traz nostalgia pura e sempre ao assistir chego a conclusão de que sim, o filme é muito bom.

O filme consegue ter singelas referências a Alice no País das Maravilhas e possui até questões filosóficas como o Mito da Caverna de Platão. A ficção científica seria um pouco incompleta sem Matrix nos cinemas. Apesar dos outros filmes serem um tanto quanto difíceis em certos aspectos, o amor pelo primeiro continua intacto.

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De cara, o filme mostrou do que as irmãs seriam capaz de fazer. Logo depois, também se firmaram como roteiristas e produtoras do aclamado Animatrix.


O próximo filme não é dirigido pelas irmãs, mas elas fizeram o roteiro e foram produtoras, sem falar que tenho um carinho enorme no coração pelo mesmo. Estamos falando de V de Vingança.

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É difícil fazer uma adaptação que sai de uma mente tão brilhante quanto a de Alan Moore. O próprio odeia as adaptações de suas obras, chegando até a pedir que seu nome não seja citado nos créditos. Eu gosto de ver o filme como a história contata pela graphic novel por uma outra visão, e que acaba completando a história original. Os nerds mais hardcore podem discordar e acabam preferindo a graphic novel por tudo o que mostra. Tem muita coisa que eu realmente prefiro de lá, sem falar o tanto de coisa que acontece e não aconteceu na adaptação cinematográfica, porém a cena da Carta de Valerie consegue me emocionar sempre que assisto.

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E não podemos esquecer da atuação fantástica de Hugo Weaving, com máscara, se firmando como um ator fetiche das Wachowski, chegando a participar também da trilogia Matrix e depois de Cloud Atlas. O filme também conta com a linda Natalie Portman e o fabuloso John Hurt.


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As diretoras ainda voltaram em Speed Racer, Cloud Atlas e O Destino de Júpiter, que possuem críticas mistas e ás vezes são citados como não muito bem recebidos pelo público. Depois do fracasso do último filme, muitos desacreditavam nas diretoras. Alguns chegaram a afirmar que seria uma complicação gigante para que conseguissem realizar outro projeto. Até que criaram uma nova série original Netflix, conseguindo assim sua redenção com uma das séries que se tornou amada pelo público. 

Você sabe de qual série estamos falando.

Sense8 foi uma surpresa muito grande para mim. Eu gosto muito do trabalho das Wachowski e só esperava o melhor dessa série. Acontece que encontrei uma série com um dos melhores roteiros originais que já acompanhei. Acredito que não via tamanha originalidade em uma série pelos últimos 10 anos. Oito personagens que estão ligados por uma conexão mental. Oito protagonistas que conseguem ter espaço para seu desenvolvimento, cada personagem possuindo características únicas e que conseguem dividir com outras pessoas do grupo.

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Foi lançado também um documentário de meia hora mostrando os bastidores da série, e nele consegui ver o quanto a série é menosprezada pelos próprios fãs que não conseguem perceber a beleza e o árduo trabalho das irmãs. Como cada personagem se localiza em uma cidade diferente ao redor do mundo, as cenas da série que eram nesses países realmente foram gravadas nos países em questão. Chega até ser um pouco engraçado assistir a série e imaginar como a troca de personagens era feitas. Assistindo ao Sense8: Creating the World conseguimos ver que os efeitos eram feitos de câmera, ou seja, os atores realmente trocavam de lugares de forma rápida para que outro entrasse em cena e assim a gravação continuava. 

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A série foi renovada para sua segunda temporada, que foi anunciada no dia 08/08 de 2014. Ainda sem data de estreia, esperamos que a série mantenha o ritmo e só traga mais belezas das mentes criativas de Lana e Lilly Wachowski.

Sobre o Autor

"Ele é um deus, ele é um homem, ele é um fantasma, ele é um guru." Apaixonado por filmes, costumo ser o Batman nas horas vagas e San Junipero até às 00:00. Sou fascinado por Doctor Who, e queria ter uma caixa azul maior por dentro. Fora isso, já falei que amo filmes?

Comentários

  • Ayrton,

    Parabéns pelo texto. Não sei se seria “útil” mencionar a transição sexual das irmãs, considerando as referências de diretores do clássico Matrix. Ambos passaram por momentos muito difíceis, até finalmente assumirem publicamente seus gêneros. Hoje são conhecidas por aquilo que lutaram tanto durante os últimos, as irmãs Wachowski.

    Um abraço.

    • Ayrton De Oliveira

      Obrigado, Hallison! Abração.

    • Fernanda Brandão

      A representatividade trans das irmãs é um importante avanço para o cenário. Não apenas pela imagem delas, mas como elas inserem isso no contexto de suas obras, que é exatamente o caso da Nomi em Sense8.

      Concordo que falar das duas apenas sobre isso é um retrocesso, vide legado incrível (antes e depois da transição) retratado muito bem pelo Ayrton. Mas mencionar isso, cada vez mais, é um serviço à comunidade trans. Quantos não se oprimem? Quantos atores ou atrizes foram substituídos apenas pela orientação sexual?

      Enfim… uma menção honrosa também à Netflix que abraçou a causa muito bem em suas criações originais. O próprio caso de Sense8 e Orange is the new black.

      • Fernanda Brandão

        à comunidade LGBTT como um todo, não somente a Trans.

      • Concordo, Fernanda. Sou uma pessoa que ainda sente o impacto social da cultura “ultraconservadora”. A vida em si transcende gêneros e como isso ainda não é “normal”, muitos dentro da sociedade ainda travarão batalhas para viver harmoniosamente.

        Mencionei o caso da transição porque acredito ser um fato muito importante dentro da cultura cinematográfica e social.

        Um abraço. 🙂