Morcego de Rua: amazonense produz filme sobre morador de rua que acredita ser o Batman

Publicado em 5 de setembro de 2017 | Por Ayrton de Oliveira | Cinema, Manaus

O Batman é um dos personagens mais conhecidos das histórias em quadrinhos, e quando citamos grandes clássicos, de cara lembramos do “Cavaleiro das Trevas”, que mostra Bruce Wayne já velho, voltando de sua aposentadoria. Agora imagine que o Batman além de velho é um morador de rua fodido e pobre. Essa é a premissa do novo filme de Ricardo Manjaro, que vai falar sobre o Batman da vida real.

O filme “Morcego de Rua” traz a história de um morador de rua de São Paulo que acredita ser o Batman dos quadrinhos da DC Comics. Logo ele fica indeciso entre o impulso de proteger as ruas ou a família que o acolhe. O curta é o TCC de Ricardo, que está cursando o curso de Direção Cinematográfica da AIC de São Paulo.


A origem do Morcego

A ideia surgiu na época do site Pula Pirada, onde Ricardo fez uma charge de um Batman já idoso e falido que sobrevivia vendendo picolé de Massa no centro de Manaus. A ideia se misturou um pouco com o sentimento de Ricardo de estar morando em São Paulo e o filme surgiu.

Charge do Batman Picolezeiro.


Filmagem e desafios

Ricardo fala que as gravações foram um tanto quanto difíceis, de início o rapaz lançou uma campanha de financiamento coletivo no Catarse que se pagou em dois dias, surpreendendo os envolvidos na produção. Com o dinheiro arrecadado, foi dado início à pré-produção do curta, em que o diretor começou a pesquisar possibilidades de locação, elenco e equipamentos para as filmagens.

“Da noite pro dia não era só mais um exercício da escola, era um exercício e também um produto, um pequeno roteiro que nós monetizamos e vendemos pra uma banca e depois Online. A cobrança por um acabamento diferenciado pegou a todos da equipe. Da Arte de Mariana Fernanda à Fotografia de André Tashiro, todos entraram nessa sintonia”, revela.

O maior desafio da produção foi o fato da equipe contar com um curto período para realizarem as gravações. “Nós tivemos cinco diárias, uma delas na Vila Itororó se aproximou das 20 horas de trabalho, porque não tínhamos direito de voltar ali, era matar tudo numa diária ou nada. Eu tive que lidar com um motim na equipe depois disso, a produção quase parou depois desse dia”, conta Ricardo. Outro grande desafio foi ter de lidar com a finalização do filme, na qual a produção teve problemas com a captação do áudio.

No final de tudo, o projeto seguiu firme e as dificuldades foram sendo superadas. “Mas no fim, a maior parte de nossa equipe era de estudantes ou estudantes recém formados, usando como referência o David Fincher e uma certa teoria própria à respeito de quando ou como mover a câmera, se ela ia ser na mão ou na estável etc. Terminou criando uma disciplina interna mais rígida pro visual do filme, todo plano tinha que ter um motivo pra ser exatamente como é.”


O amadurecimento do trabalho, estreia e projetos futuros 

Ricardo já havia dirigido outros dois filmes antes do Morcego de Rua, são eles “A Última no Tambor” e “O Necromante”. Dessa vez o rapaz conta como foi a sua evolução: “eu apanhei bastante produzindo e pós-produzindo o curta. Tenho uma lista de coisas em que passei a pensar diariamente depois do Morcego. Nós miramos na lua, não sei se passamos das nuvens, mas é uma busca e nós buscamos nos deixar influenciar por uma determinada estética clássica, e vamos agora entregar o filme e tentar aprender ainda mais com mais essa etapa da vida dele.”.

O filme já foi exibido online para os apoiadores do Catarse e agora segue para ser inscrito em festivais. Além disso, Ricardo pretende fazer uma estreia física em Manaus. Para o futuro, o rapaz diz que está trabalhando em um novo longa independente e que continua escrevendo alguns outros projetos, porém ainda não pode revelar muito sobre.

Morcego de Rua segue firme para nos mostrar o melhor Batman do cinema em ação.

 


Sobre o Autor

Apaixonado por filmes, costumo ser o Batman nas horas vagas e San Junipero até às 00:00. Sou fascinado por Doctor Who, queria ter uma caixa azul maior por dentro e o fogo anda comigo. Fora isso, já falei que amo filmes?

Comentários