As Crônicas de Acheron | Do relato das formigas sobre o cerco de Ziporih

As Crônicas de Acheron é uma série de fantasia publicada toda quarta-feira no Mapingua Nerd.
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E elas ao ouvirem seu indagar se aproximaram, descendo das árvores e saindo da grama, das pedras, das brechas da terra. Assim se fez uma grande multidão que cobriu a clareira além da escuridão. E reunidas, disseram:

– Sabe tu, oh senhor do Povo das Alturas, que as notícias de Ziporih são turbulentas, pois a cidade sofreu um cerco de muitas luas de um levante de bárbaros orientais que a oprimiram, bem como a cidadela tremar no alto do monte Fatsiam foi tomada por uma multidão de inimigos que lá ergueram tenda. Eram provavelmente mais de trinta mil orientais, afora as bestas da Serpente Caída Atheran e os Crafaeins e Draquons capturados, que também compunham as fileiras de batedores ao longo de todo o domínio de Notrum, além dos muros de Ziporih, e por toda a Malem. O povo sobrevivia com as escassas reservas dos celeiros e o senhor da Cidade de Pedra vez ou outra autorizava que caçassem em seus bosques. Sim, após luas caminhando pelo Maphion até o Malgaroth, em direção Noroeste, adentramos, perto do fim do outono, os grandes portões de ferro da cidade, além das águas do Trufhontis ,que a cortam ao meio e alimentam suas terras. Passeando pelas terras empobrecidas pelo cerco, apenas víamos o povo desocupado e esquálido pela privação de alimento. Malfazejos eram ali praticados diariamente,  saques e furtos aconteciam com frequência, pois, por conta do seu breve viver e frente às facilidades do Mal, a raça dos homens se corrompe facilmente. E as feiras, que antes eram fartas ao redor do Templo da Ordem, já nem mais existiam. Nos becos e vielas onde moram os simples, vez ou outra ouvíamos o choro de algum parente que cumprira o Ciclo por doença, ou mesmo por causa de debilidade da fome. Mas no Templo da Ordem, encontramos em algumas brechas outras de nossas irmãs e elas nos contaram sobre tudo o que ali acontecia. Sabe tu, que de modo semelhante, Notrum enfrentou traição no seio de sua casa, pois seus próprios filhos Klith, Demarin e Mafroun tramaram contra ele. Por ciúmes de Sorbam, tentaram envolvê-lo em uma intriga com a cortesã favorita de Notrum… Taremil. A que foi enviada por Claekuth e Morjal como desculpas por se recusarem a enviar o filho de Atelith para se tornar um tremar. Sim, talvez não saibais disso, mas por conta da insistência dos Oraculares em unir Ranemann e Melikae, Claekuth ofereceu a Notrum o filho de Atelith, que ela teve com o bardo contador em troca de um arranjo para a união entre o bardo e a guerreira, visto que os pais de Melikae, os Separados do Conselho, Drovaton e Aziydaeh, intentavam uni-lo à filha do mestre da Ordem do Templo. E ele prontamente aceitou.

– Minhas amigas! Me poupem desse muito falar desnecessário sobre as amenidades políticas que acontecem em Ziporih! Qual, afinal, foi a resposta de Notrum!

– Acalma-te, homem. Te contamos isso para que conheças o caráter de Notrum, pois usou ele astúcia neste negócio. Afinal, ao mesmo tempo que fingia apoiar os planos de Claekuth, desejava fazer o gosto de Drovaton, Aziydaeh e Fartriohn, pois assim fortaleceria o seu governo. Lembra-te que lá veem ele como Voz do Uno em Acheron. Assim, toda união entre a nobreza precisa de sua benção. Enfim, nossas irmãs que naquelas terras habitavam contaram do jogo de Notrum para Claekuth. Então ela, com a desculpa que Ostragion se recusava a ir habitar em Ziporih, enviou-lhe Taremil e outras mulheres do harém de Lemael como pedido de desculpas, pois apesar de seu desagrado, não achou prudente romper com a casa de Notrum, usando assim de ironia em resposta à sua falta de consideração. Assim, Notrum uniu Melikae, filho de Drovaton e Aziydaeh, à filha de Fartriohn, Safretin.

– Bom, é uma história bem típica do povo fútil do Oeste. Já que julgais necessário que eu saiba, tudo bem. Mas uma dúvida me veio agora.

– Pois diga.

– O que existe de importante nesse bastardo filho de Atelith… a quem chamam Ostragion… para Claekuth usá-lo como barganha em negociatas políticas?

– Bom, também nos intrigamos com isso! Mas o que sabemos é o que ouvimos de nossas irmãs. E é pouco. Notrum acredita nas visões de Claekuth a respeito da profecia do Herói. Talvez ele cresse que Ostragion pudesse ter algo a ver com isso. Supomos que Claekuth soube se aproveitar de tal situação.

– E o que isso tem a ver com o cerco de Ziporih? E a resposta de Notrum!?

– Acalma-te, amigo! Contamos isso para que saibais como nossos amigos oraculares agem com agudez de esperteza e de como o Uno trabalha sem cessar em silêncio! Pois ao saberem das tramas de Notrum, Claekuth e Morjal solicitaram de Lemael as cortesãs com pior porte de seu harém para enviá-las a Ziporih. Entre as vinte escolhidas, Taremil, a de olhos baços, foi-se com a caravana na viagem de três luas pela Malem, ao Norte, até lá. Ora, apesar da aparência mal-apessoada, sua graça fez o senhor de Ziporih se afeiçoar a ela. E Taremil também detêm o Dom da Visão e passou assim a aconselhar Notrum. Aliás, é dito que ela foi dada por Claekuth a Lemael justamente por conta disso. Mas devido a sua aparência, o Censor do Palácio dos Vilca logo de Taremil se esqueceu, pois nunca houve tantas belas mulheres no harém dos Censores como nos dias de Lemael. E assim ela se tornou a favorita de Notrum. E muito o tem aconselhado com as visões que tem ao estar distraída costurando tecidos. E por causa dela, o senhor da Cidade de Pedra assassinou os Separados do Conselho e o mestre da Ordem, assumindo a prerrogativa de Fartriohn e substituindo Drovaton e Aziydaeh por seus filhos corruptos, Klith, Demarin e Mafroun. Acredite, senhor Vatrehuh, esses homens pérfidos se associaram ao líder do levante dos orientais, o malvado Dzfarthyr, se encontrando assim em secredo. Pois os neófitos acreditavam que poderiam negociar a paz nos termos dos selvagens. O plano deles era reunir provas contra Taremil e o general Sorbam, pois ambos eram amantes. Assim, receberam do bárbaro um gema-que-tudo-vê e a depuseram nos aposentos da cortesã, com ajuda do copeiro, esperando o dia em que Taremil e Sorbam se encontrassem. Pois bem, para surpresa dos maldosos Klith, Demarin e Mafroun, Notrum tudo já sabia a respeito de Taremil e Sorbam e muito se irritou com o plano das raposas astutas! A essa altura, um grupo de nossas irmãs já tinha partido para o Palácio dos Censores e para Thelim. O plano dos filhos de Notrum fracassou e o conselheiro Jiltrate, para proteger o senhor de Ziporih, envenenou Klith, Demarin e Mafroun enquanto jantavam todos juntos de seu pai na lua anterior à terrível guerra que veio em seguida. Pois após sete luas do encontro de Klith e Mafroun com o líder dos bárbaros, os exércitos orientais passaram a atacar com fogo e raio os muros da Cidade de Pedra. Na primeira lua, o inverno já caía com a sua maior força e a neve, que se misturava à escuridão da noite, podia ser vista cobrindo os altos das muralhas de Ziporih com o clarão do choque estrondoso de raios que vinham dos cajados das fileiras de feiticeiros orientais, além das catapultas que lançavam grandes bolas de palha, pedra e betume em chamas, enquanto carruagens em grupos de quatro iam até as margens do fosso da muralha lançar multidões de ratos mortos para assim contaminar as águas do Trufhontis que alimentam a cidade.

Vatrehuh ouvia o relato da guerra admirado.

Continua…


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Sobre o Autor

perdeu as contas de quantos mantras realizou para zerar aos onze anos Faxanadu. Suas habilidades crescentes já na infância o levaram a fazer uso da Master Sword todas as vezes em que houve necessidade (desde a Criação até a Era o Caos e da Prosperidade). Atualmente anda às voltas com os reinos de Boletaria, Lordan e Drangleic porém nunca esquecendo que deve estar de pé às seis para levar luz àqueles que necessitam. Gosta de caqui, sustos, games, comida-que-mata, poesia, pringles, fantasia-fantástica, pôr-do-sol... e Pepsi! Não necessariamente nessa ordem.