As Crônicas de Acheron | Do relato das formigas sobre o cerco de Ziporih parte II

As Crônicas de Acheron é uma série de fantasia publicada toda quarta-feira no Mapingua Nerd.
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Vatrehuh atônito, recostava suas mãos sobre o rosto. As imagens tempestuosas da guerra se formavam em sua mente enquanto as formigas seguiam o terrível relato.  ” — Malditos orientais! Contaminando a água que abastece a cidade, dizimarão o povo com pestilência!  Quanto a isso não há estratégia! Mas, continuem, minhas amigas! Afinal, assuntos de guerra me são muito interessantes! “

Elas continuaram:

” — As setas flamejantes intermitentes enviadas por entre as ameias da muralha como resposta pela artilharia dos arqueiros tremares cortavam tímidas a escuridão, pois tinham pouco efeito devido a distância que o exército bárbaro estava posicionado à frente da cidade. Assim, o fogo que adentrou no pátio do palácio e se alastrou por entre os andaimes de madeira da casa de guarda e ao redor das rampas e escadarias centrais iluminando as águas escuras do lado de dentro do fosso, rechaçou parte da infantaria e da cavalaria tremar ao norte do centro da muralha.

– É esse o poder dos homens orientais? Ah! Então Ziporih permanecerá incólume por mais uma era! – Gritava Uhtyl ensandecido, em meio às ordens dadas aos arqueiros, nos clarões que empalideciam o negror invernal do Norte. Pois apesar da violência dos raios, a sólida barreira de pedra com espessura de doze carruagens emparelhadas e altura de três baobás permaneceu imponente. Assim seguiram os ataques por toda a noite até o amanhecer, quando paulatinamente quatro helépolis, manobradas por trezentos bárbaros brutos cada, seguiram a planície fria enquanto as catapultas cuspiam o fogo e os cinco mil feiticeiros continuavam a lançar raios, agora montados em cavalos negros protegidos com as armaduras peculiares de ferro dos orientais. Cavalgavam em formações concêntricas e usando de feitiçaria para sumirem e reaparecerem sempre um pouco à frente, confundindo os arqueiros.

– Não sejam tolos! Continuem apenas lançando para o alto as setas! – Dizia assim o general pois logo percebeu que a tática ilusória era apenas para tentar amedrontá-los. Porém, os feiticeiros assim se aproximaram mais e mais e atingiam muitos das fileiras de arqueiros, estes substituídos rapidamente pelos outros que subiam pelas escadarias trazendo estrepes lançados muralha abaixo, derrubando assim muitos cavalos.

–As helépolis estão se aproximando! Homens! A postos para lançar o óleo e fogo! Cavaleiros! Mantenham-se em fila com as espadas! Soldados! Observem atentos o aproximar das helépolis! Pois o inimigo tentará invadir nossa cidade! – Já perto da metade do dia, Uhtyl e os demais soldados se assombraram com o tamanho das grandes torres móveis de madeira que já próximas da muralha, lançaram suas pontes sobre ela, despejando fileiras dos furiosos orientais com suas roupas minimalistas e lâminas curvas de três pontas. Então sob a ordem de Sorbam, óleo e fogo desceram das doze janelas do barbacã adentrando nas helépolis por entre as brechas da madeira incendiando assim os soldados e os brutos que a empurravam. Mas os batedores que estavam nos andares mais superiores não foram atingidos, e tentavam atravessar a ponte montados nos Crafaeins, sendo rechaçados com o escudário tremar disposto bem à frente deles com suas lanças envenenadas, derrubando assim muitos.

– Ah! Desgraçados do Leste! Pensavam que seria fácil! Mas nosso povo é protegido pelo Senhor da Cidade Abençoada! – Uhtyl gargalhava triunfante do alto do centro da muralha enquanto vez ou outra transpassava a carne de um ou outro bárbaro que conseguia atravessar o bloqueio. – Senhor! Precisamos de mais homens para lançar fora as pontes de madeira do lado sul da muralha e conter os invasores! – Gritou Gihgal, o jovem capitão assistente de Uhtyl que comandava os homens do entreposto. – Chame os que estão dispostos na casa de guarda! – Os olhos do general se arregalaram ao ver os batedores orientais montados sobre os Crafaeins ensandecidos que atravessaram o bloqueio dos dois escudário do lado sul.

–Homens! Formar a barreira de escudos! Fechar todo o adarve! – Uhtyl deixou o comando do centro e o norte para pessoalmente ir com a falange de quatrocentos hoplitas tremares e suas lanças de fogo e escudos preparados. Assim se posicionaram com seus escudos e lanças cobrindo seus corpos e avançaram fechando o caminho de um lado a outro. O embate foi mui violento, pois a fúria dos Crafaeins se misturou ao medo deles do fogo, e as feras golpeavam a parede tremar com suas cabeças lançando longe soldados que rapidamente eram substituídos por outros detrás. Mas as grandes lanças incendiadas e envenenadas transpassavam os pescoços massivos dos Crafaeins, e o efeito imediato do veneno os paralisava! O esguicho negro do sangue pútrido das feras malévolas queimava os soldados que em desespero se lançavam no fosso.

– Homens! Empurrem a ponte! Vamos! Por Notrum e o Templo! Todos juntos agora! – Gihgal e trinta homens ferozes erguiam a ponte da helépolis no exato instante que dois feiticeiros furtivos lançaram setas em forma de raio derrubando assim metade de seus homens. Mas ainda assim, a ponte fora retirada, e ali ouviu-se os gritos de orientais empalados nos galhos do fundo do fosso. Ferido e com o braço queimado, Gihgal apoiou-se na muralha, mas sua visão turva permitiu avistar os grandes aríetes sendo empurrados por trezentos orientais do interior das duas helépolis próximas à ponte levadiça de entrada da Cidade de Pedra.

– Arqueiros! Homens das janelas centrais do barbacã! Não permitam que os malditos se posicionem! – O grito do capitão ecoava junto do cavalgar apressado de seu alazão por todo o adarve. –- Gihgal! Coordena no barbacã! Deixai comigo aqui em cima! Anda! Desce pelo andaime sul! – E Uhtyl assim liderou os arqueiros, enquanto quatro pelotões continham coordenados as seguidas tentativas de invasão do inimigo através das helépolis. A guerra permaneceu titânica até a viração do segundo dia!“

 

Continua…


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Sobre o Autor

perdeu as contas de quantos mantras realizou para zerar aos onze anos Faxanadu. Suas habilidades crescentes já na infância o levaram a fazer uso da Master Sword todas as vezes em que houve necessidade (desde a Criação até a Era o Caos e da Prosperidade). Atualmente anda às voltas com os reinos de Boletaria, Lordan e Drangleic porém nunca esquecendo que deve estar de pé às seis para levar luz àqueles que necessitam. Gosta de caqui, sustos, games, comida-que-mata, poesia, pringles, fantasia-fantástica, pôr-do-sol... e Pepsi! Não necessariamente nessa ordem.