As Crônicas de Acheron | Da demanda de Zitri e Melikae nas cavernas de Femiaren – Parte III

As Crônicas de Acheron é uma série de fantasia publicada toda quarta-feira no Mapingua Nerd.
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Ao ouvirem a voz do Senhor das Entranhas da Terra dos Carvalhos, Melikae e Zitri por um breve momento perderam os sentidos. O discurso grave e ecoante do Maioral Fyr era como uma sinistra resposta aos anseios dos desesperados tremareanos ao simples desejo de saber qual caminho tomar rumo à cidade abandonada dos artesãos de Nuth. Entorpecido pelo medo, Zitri respondeu, com voz trêmula:

“ – Senhor a quem tenho dedicado meu caminho desde a juventude! Somos tremareanos de bom sangue e sabemos que tudo conheces acerca dos homens. Sabes o desejo e o temor que se aloja em nossos corações desde o início de nossa demanda, em que a serva do Uno Claekuth nos enviou, da pequena Thelim, juntamente com nossas irmãs vilca, em busca do último fragmento do Fôlego do teu irmão Orath, para usá-lo contra o Caos em movimento que se instalou nos recônditos da Floresta Escura e tem destruído e modificado a outrora perfeita obra da tua criação… a abençoada Terra dos Carvalhos! Nos separamos há meses de nossas irmãs em um incidente ocorrido no rio primordial1, em luta sangrenta contra humanos degenerados pela fumaça pútrida que nasce dos pântanos e tomou conta da região outrora habitadas por gente simples às suas margens… e acabamos parando quase mortos em campos desconhecidos repletos do que, cremos, os antigos chamam de zigorath2. Entre andanças por aquelas terras, atravessamos o Makalabeth3, onde vimos as grandiosas rochas que circundavam as ruínas da agora abandonada cidade das Terras Proibidas e avistamos as Femiaren e, assim, rumamos em sua direção, pois desde nossa juventude devota ao Uno e aos Atemporais ouvimos falar de Nuth e Mitranil e sua sabedoria e poder de clarividência… pois perdidos estamos e necessitamos saber se nossas irmãs Ranemann e Atelith ainda vivem, além de respostas sobre o último fragmento do Fôlego da alegria de Orath na demanda contra a maligna força que tem destruído nosso mundo conhecido e sobre os rumores do poder que o Caos em movimento tem utilizado para se fortalecer contra os homens que habitam a Terra dos Carvalhos, já que os seres fantásticos que criastes juntamente com teus irmãos desapareceram em retorno à abençoada Bel. Nosso alimento durante esses tempos difíceis tem sido de fragmentos de escamas dos peixes abençoados pela própria Claekuth dos poços oraculares de Mithmard, juntamente com as águas do poço! Por isso ainda não morremos de fome e sede! Dize-nos, por amor a ti mesmo e por misericórdia de nós, onde encontraremos a sábia Mitranil de Nuth nessa cidade abandonada há muito pela destruição da Água Súbita devido à ganância e ao orgulho dos poderosos artesãos que aqui outrora habitavam?”

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O gigante Senhor das Entranhas de Acheron então respondeu:

“- A esse respeito digo que Mitranil ainda subsiste e está no último pedaço do mundo pervertido que seu consorte Atheran, criou a partir de seus poderes degenerados oriundos do sangue odioso do moribundo Draemoniach. Onde não existe Bem e Mal, o Mundo Mosaico de Atheran foi aprisionado pelo próprio deus degenerado, na tentativa de satisfazer a inveja de Draemoniach de ser como nós e possuir um corpo transparente, vítreo como as areias do Clahtemariaeh antes que seu caráter divino tivesse sido expresso após sua criação pelo meu irmão Orath. Adentrem o caminho da esquerda e atentem para minhas palavras: a fenda que leva para a pedra entalhada do outrora vivo traz as brumas que separam o mundo que buscas do qual nele estais. Cuidado, cuidado com os perigos da ganância e orgulho que levaram os que aqui habitavam e que agora são meus servos sofredores no Outro Mundo Inferior.”

Ao terminar seu discurso, o Atemporal Fyr então começou a imergir lentamente em meio ao lago de fogo que cobria o chão desmoronado do lugar. Mais uma vez tremores assolaram a galeria, estremecendo suas fundações graníticas e fazendo com que mais pedras caíssem dos seus altos. Protegidos no interior do pórtico esquerdo, Melikae e Zitri observaram o Senhor das Entranhas de Acheron desaparecer em meio ao lago incandescente. As rochas que despencavam do alto em velocidade mergulhavam no lago de fogo provocando explosões e lançando ondas ardentes a grandes distâncias. Os dois jovens homens viraram suas costas para a grande galeria em colapso e então, correndo, seguiram o caminho da esquerda rumo ao desconhecido. O que significariam as palavras enigmáticas de Fyr? O que dizer de toda a destruição da galeria que os trouxe para dentro do reino dos Nuth? Sabiam ambos – Zitri e Melikae – que agora não havia retorno ao mundo exterior. Estariam confinados àquele lugar para sua destruição? Tais questões sobrevinham à mente dos dois jovens amigos. Naquele momento fizeram apenas o que era possível: caminharam para o interior do caminho esquerdo levando o medo consigo. A pedra guia ainda emanava luz. Agora em matizes vermelhos.

Continua….


1 Ou Samehim, assim chamados pelos Tremares. Também conhecido por “Acherontis”. Que emanou das profundezas da Terra dos Carvalhos com a chegada da Água Súbita. Diz-se que do rio primordial derivaram os outros rios que surgiram na Terra dos Carvalhos após o castigo dos Atemporais sobre os povos rebeldes que assim foram destruídos pela chegada da Água Súbita.

2 As portas para Bel. Não se sabe exatamente quem as construiu, pois a escrita entalhada nas paredes nos altos de tais construções piramidais são em língua muito antiga, não semelhante às conhecidas. Acredita-se que os sobreviventes dos Vilca, após o fim da chegada da Água súbita, fizeram morada sobre os campos de Maphion e resolveram erradicar todo seu passado por temerem semelhante catástrofe acontecer novamente. Assim, teriam criado uma nova língua e novos costumes para se comunicarem com os Atemporais.

3 Região que acolheu os dez restos do maior construtor dos Milcah que após o fim da chegada da Água súbita levantou a Cidade de Celhin. Após sua morte, despedaçaram seu corpo em dez pedaços e enterraram-nos em locais desconhecidos da cidade abandonada.

Sobre o Autor

perdeu as contas de quantos mantras realizou para zerar aos onze anos Faxanadu. Suas habilidades crescentes já na infância o levaram a fazer uso da Master Sword todas as vezes em que houve necessidade (desde a Criação até a Era o Caos e da Prosperidade). Atualmente anda às voltas com os reinos de Boletaria, Lordan e Drangleic porém nunca esquecendo que deve estar de pé às seis para levar luz àqueles que necessitam. Gosta de caqui, sustos, games, comida-que-mata, poesia, pringles, fantasia-fantástica, pôr-do-sol... e Pepsi! Não necessariamente nessa ordem.