O Pasquim | Black Mirror: O pior que há em nós

Publicado em 8 de novembro de 2016 | Por Fernanda Brandão | Colunas, O Pasquim, Séries, TV

De uns tempos pra cá, a internet foi tomada por comentários sobre “Black Mirror”, uma série britânica que trata de temas do cotidiano e as consequências da tecnologia, numa abordagem de ficção especulativa. Embora pareça futurística, o criador da antologia, Charlie Brooker, afirma que “todos os episódios são sobre a forma como vivemos agora.”

AVISO: VOCÊ VAI SE SENTIR MAL

No primeiro episódio, um fictício primeiro-ministro do Reino Unido precisou decidir se faria sexo ou não com um porco para salvar a vida de um membro da família real. Parece pesado? Fica pior.

FÁBULAS DE ESOPO

Pedofilia, traição, morte, prostituição, julgamento, assassinato e exposição são exemplos de temas abordados de maneira tão real e próxima – expondo os telespectadores a níveis extremos do comportamento da sociedade moderna – que podemos até sofrer com os personagens e refletir sobre a ‘lição de moral’ antes de ir para o episódio seguinte.

URSO BRANCO

No segundo episódio da segunda temporada, uma mulher com amnésia é perseguida nas ruas e corre risco de morte. As pessoas, em vez de ajudá-la, apenas filmam o seu desespero com celulares. Um paralelo entre a sociopatia e nosso instinto de registrar e expor tudo. Isso te lembra algo?

TEATRO DOS VAMPIROS

No último fim de semana, milhares de adolescentes prestaram vestibular através do ENEM. A partir disso, as redes sociais foram à loucura aguardando os “memes” dos candidatos que chegariam atrasados. Um grupo de universitários foi além: eles compraram cervejas e aguardaram na frente de uma escola para assistir ao vivo o desespero de quem não conseguiu fazer a prova.

A VIDA DEPOIS DE BLACK MIRROR

Em Manaus, a série fez tanto sucesso que o grupo RP Manaus está organizando um evento, no próximo dia 9, com profissionais da área de tecnologia, psicólogos, comunicólogos e fãs para debater as sensações do mal-estar contemporâneo que permeiam a consciência de quem assistiu ao seriado.

ESPELHO NEGRO

Um reflexo da sociedade, “A tecnologia nunca é a vilã”, explica Brooker. É como culpar uma pistola por matar alguém.


Revisão PT-BR: Susan Karen (caqui.susan@gmail.com)

Sobre o Autor

é Especialista em Artes Visuais, Publicitária e Editora. Também é uma dos fundadores do Mapingua Nerd. Escreve menos do que gostaria e torce pelo Holyhead Harpies.

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