As Crônicas de Acheron | Do surgimento da Floresta Escura e dos deuses degenerados

As Crônicas de Acheron é uma série de fantasia publicada toda quarta-feira no Mapingua Nerd.
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Quando o Draemoniach sofreu ferida de morte em sua batalha contra os filhos de Orath e foi lançado no extremo oriente da Terra dos Carvalhos, o mundo conhecido se viu em transformação maligna. Sim, os Quatro Ventos, suas hostes, se recolheram, caindo o Dragão Azul mortalmente ferido no lugar que o Uno criou para si como sua morada em Acheron. O sangue de Draemoniach jorrou abundantemente sobre a terra outrora sagradas dos Bosques de Bel.

Ferido gravemente em seu lado, asas, pescoço e sem sua cauda, o Deus Criado Draemoniach foi tomado pelo medo e seu sangue já tomado pela inveja, ambição e fúria contaminaram irremediavelmente as criaturas sagradas que viviam no lugar. Paulatinamente o solo se tornou invejoso, e a inveja se apoderou da vegetação. Os animais que se alimentavam das ervas e das macieiras de Nelmitri – tomadas pela inveja – também se tornaram invejosos e passaram a nutrir ódio uns dos outros e o ódio também se apoderou dos animais dos Bosques de Bel. Assim, ódio e inveja adentraram na mente das criaturas sagradas que lá viviam. O solo repleto de inveja e ódio contaminou assim a última morada do Uno na Terra dos Carvalhos.

Por conta do ódio e da inveja presentes no sangue do Deus Dragão, as obras da criação do Uno e dos Atemporais dos Bosques de Bel foram deturpadas pois com eles sobreveio também o medo que o moribundo Draemoniach possuía do Outro Mundo Inferior. Sim, a essência de Draemoniach temia os juízos do Senhor das Entranhas de Acheron. O Dragão Azul temia que sua alma imergisse às fundações da terra pois sabia que Fyr o escravizaria em tormentos por conta de seu malfazejo e desobediência aos desígnios de seu pai Gorath.

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Tamanho era o medo do moribundo Deus criado dos juízos de Fyr, que isso enlouqueceu sua essência. O Dragão Azul – ferido de morte – passou, através de seu sangue negro, a contaminar também as obras da criação do Uno e dos Maiorais com o medo e a loucura. Logo as ervas passaram a sufocar as árvores dos Bosques de Bel. As macieiras de Nelmitri e os carvalhos definharam e também tomadas pelo medo e a loucura, já não davam mais seu fruto. Os animais – agora famintos e tomados pela inveja e o ódio – tornaram-se inimigos de si e passaram a se devorar. Sim, o sangue dos animais habitantes dos Bosques de Bel – outrora sagrados – agora jaziam em profanação de seus corpos e mentes, e o assassinato se alastrou por todo o lugar.

E o solo, já contaminado pelo sangue odioso e invejoso do Dragão moribundo também tragou o medo e a loucura dos seres viventes do lugar. As feridas profundas no corpo de Draemoniach eram incuráveis e por conta disso a matéria corpórea do Deus criado lentamente apodreceu. Sua aparência azul e cintilante tornou-se cinza, e depois negra. Assim também toda a erva e animais que habitavam nos Bosques Sagrados– outrora belos e coloridos – lentamente tornaram suas essências negras e assim se foi a beleza das últimas terras sagradas do Uno em Acheron. Inveja, ódio, medo e loucura fizeram morada então nos corações dos habitantes dos Bosques de Bel e sua aparência também passou a ser negra e cinza. Agora toda erva e carne eram venenosas, a água e o ar do lugar eram tóxicos. O ar e a água perverteram e assassinaram as macieiras e os carvalhos. A erva tomou os galhos já ressequidos das árvores dos Bosques de Bel e impediu que o Sol enviasse sua luz ao lugar. Do solo – repleto de inveja, ódio, medo e loucura – emanava fumaça negra contaminando ainda mais o lugar.

O corpo apodrecido de Draemoniach misturou-se ao pó cinza e negro que agora formava o solo do lugar. Porém, a essência do Deus Dragão subsistiu ao seu próprio ódio. E assim, a alma de Draemoniach passou a pairar sobre a Floresta Escura1 produzindo ainda mais medo e loucura nas mentes de seus habitantes. A essência de Draemoniach era incansável em inveja e ódio, e dia e noite intentava em se vingar de seus pais por conta do de seu juízo sufocando também a criação do Uno que habitava os Bosques Sagrados de Bel. A essência do Deus criado jazia dia e noite sobre o lugar – assassinando e escravizando os habitantes da Floresta Escura. Draemoniach assim ofendia o Uno e os Atemporais e buscava reunir forças para sua vingança.

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O sangue negro que jorrou do corpo moribundo de Draemoniach contaminou a terra do lugar profundamente até as fronteiras do Outro Mundo Inferior ofendendo as suas fundações com ódio, inveja, medo e loucura. Enquanto Fyr passeava sobre as fundações de seu domínio (em forma de lava), o sangue pútrido do Dragão caído buscava almas para contaminar e escravizar. Miríades de almas estavam a se lavar no Acherontis2 e se contaminaram com o gotejar do sangue negro de Draemoniach sobre as águas. Instantaneamente, ódio, inveja, medo e loucura contaminaram as almas, servas de Fyr, e assim elas retornaram das águas. As almas – pequenas, grandes, nobres e profanas – tornaram-se odiosas e invejosas umas das outras e retornaram das águas para Draemoniach. Sim, as miríades de almas que retornaram a Draemoniach passaram a servi-lo e assim construíram morada para a essência do Deus Dragão no interior da Floresta Escura.

Entretanto, as almas nobres que se contaminaram com o sangue negro de Draemoniach não retornaram ao Deus criado. Pois a inveja e o ódio que nelas passou a existir transformaram-se em orgulho. E o medo e a loucura em delírio. Assim, as almas nobres como Draemoniach desejavam se tornar. E a essência dos outrora homens nobres, que se contaminaram com o sangue pútrido do Deus caído, agora intentavam ser Deuses tais quais o Sol, a Lua e os Firmamentos de Acheron. Deuses criados – tal qual Draemoniach – era.

As almas nobres, agora orgulhosas e em contínuo delírio – sim, delírio é fazer do homem um Deus – da servidão a Draemoniach fugiram, buscando morada espalhadas pela Terra dos Carvalhos enganando os povos que nela habitavam. Incutiram no coração dos homens adoração sobre si pervertida e degenerada, despertando assim a ira do Uno e dos Atemporais. A esse respeito, os grandes construtores dos Milcah, com suas mãos habilidosas fizeram imagens profanas de pedra dos falsos deuses criados do panteão dos Bellihim e espalharam  sobre as grandes Moleth3. A essência em delírio das almas dos filhos nobres e orgulhosos dos Milcah ao seu povo retornou, enganando-os e os tornando mais e mais amantes de prazeres ilícitos. Assim, o malfazejo dos Milcah passou a gotejar sobre a taça do malion do Uno. E o tempo de o Juízo do Uno, que durou oitenta anos, teve contagem a partir do sinal de Orath. Este terminou com a destruição da cidade dos construtores através do fogo que a derribou quando da Dissenção entre Vento e Sol.


1 – A esse respeito dizem os antigos dizem que também Draemoniach é assassino, pois sua essência nesse período passou a perseguir e matar as criaturas que ainda não haviam se contaminado com o seu sangue pútrido.

2 – É dito pelos antigos que a essência dos que cumprem o ciclo ruma para o Rio Primordial – onde a mesma é purificada – para em seguida seguir caminho aos domínios de Fyr.

3 – Sobre isto sabe-se que os deuses degenerados contaminaram os costumes do ainda pequeno povo dos construtores. A construção das Moleth foi grande homenagem dos Milcah ao seus falsos deuses e grande ira foi despertada no Uno e os Atemporais por conta de tamanho malfazejo.

Sobre o Autor

perdeu as contas de quantos mantras realizou para zerar aos onze anos Faxanadu. Suas habilidades crescentes já na infância o levaram a fazer uso da Master Sword todas as vezes em que houve necessidade (desde a Criação até a Era o Caos e da Prosperidade). Atualmente anda às voltas com os reinos de Boletaria, Lordan e Drangleic porém nunca esquecendo que deve estar de pé às seis para levar luz àqueles que necessitam. Gosta de caqui, sustos, games, comida-que-mata, poesia, pringles, fantasia-fantástica, pôr-do-sol… e Pepsi!

Não necessariamente nessa ordem.