As Crônicas de Acheron | Do Surgimento dos Míticos Alados

Publicado em 6 de abril de 2016 | Por Antonio II | As Crônicas de Acheron, Contos

As Crônicas de Acheron é uma série de fantasia publicada toda quarta-feira no Mapingua Nerd.
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Registrou o escriba:

Quando Orath foi invocado pelos Censores dos Vilca à época da Dissenção entre Vento e Sol, entristecido foi pela estultícia de Lamech, Lemach e Limeuth que, inadvertidamente tomaram o muco de trinta virgens de seu harém para chamar sua atenção. Sim, os Atemporais são oniscientes e estão sempre observando os homens em todas as suas obras. Ao perceber Orath, de seus jardins, a tolice dos três Censores, desceu da Cidade Abençoada com a ajuda de seu irmão Gorath, através de suas penas, e foi ter com eles. Sua enorme barba atrapalhava o seu falar enquanto o Atemporal dos prazeres lícitos sentenciava suas ordenanças para a demanda dos maiorais dos Vilca, porém, Orath (como seu costume) conseguiu dar três passos para trás em sinal de comedimento quanto a sua desaprovação pela tolice dos três Censores.

Para remediar o erro de Lamech, Lemach e Limeuth, e demonstrar sua sempiterna bondade, o Atemporal fálico decidiu se alegrar com as trinta virgens. Porém – das trinta virgens da Casa das Mulheres dos maiorais dos Vilca oferecidas a Orath – doze morreram por ser de “sangue ruim”. Orath reconheceu o sangue fraco das doze virgens dizimadas pelo seu vigor quando os sorveu com sua língua das cavidades de onde emanam as imundícias das mulheres. Ao sorver o sangue das doze virgens no segundo dia do Tempo das Delícias, Orath muito se aborreceu por vê-las sucumbirem ao seu infinito vigor. O cheiro do “sangue ruim” das doze virgens emanava também dos grandes e finos dedos das mãos peludas de Orath, pois ele costuma acariciar suas esposas no alto de suas cavidades e assim, o muco das doze virgens que sucumbiram a Orath se misturou ao seu “sangue ruim”, provocando a ira do Atemporal.

Então Orath, em meio à sua ira por tal estultícia dos maiorais dos Vilca, ordenou que os corpos desalmados das doze virgens de “sangue ruim” fossem queimados e suas cinzas entregues a Claekuth para serem lançadas no Poço da Perdição. E assim o Oráculo de Mithmard o fez. Naquela noite os habitantes da Vila dos Thelim ouviram os gritos do choro e arrependimento das doze virgens impuras que vinham ecoando das profundezas do Outro Mundo Inferior e todo o povo detentor da sabedoria dos antigos temeu Orath. Sim, as lamúrias dos corpos das doze virgens escaparam dos domínios do Outro Mundo Inferior e passearam em Thelim (como a outrora Brisa que foi recolhida por Draemoniach através do vento oriental) naquela noite pela Vila do povo da Visão, atemorizando os mais novos e lembrando os mais velhos que não se deve contrariar a vontade dos Atemporais, pois sua bondade se alinha com os juízos que lançam sobre o bem e o mal que os homens realizam em vida durante seu tempo na Terra dos Carvalhos.

 

Um grande deus cornudo anda em uma floresta carregando em uma mão uma mulher desacordadaArte: Michalivan (Deviant Art)

Entretanto, no Tempo das Delícias que Orath obteve com as dezoito virgens Vilca de sangue puro durante três dia e três noites contínuas produziu indizível alegria nas dezoito virgens e elas conceberam os filhos de Orath. O surgimento dos homens abençoados se deu na Terra dos Carvalhos a partir do Tempo das Delícias de Orath com as virgens de sangue puro dos Vilca. Os filhos de Orath e suas mães, segundo o relato dos antigos são:

Sinorah, filho de Amelá; Mokau, filho de Derach; Kiléu, filho de Sounit; Famila, filha de Cinepit; Vilcmah, filho de Sefarit; Beninona, filha de Etrich; Simarit, filho de Jedil; Semit, filho de Maliq; Diriri, filho de Policuat; Nuh, filho de Illil; Siderur, filho de Jeúd; Zitriu, filho de Suaba; Xituh, filho de Liput; Ashiter, filho de Mitrileh, Fildenas, filho de Matril; Riltrash, filho de Silbesh; Gaduda, filha de Oret; Ashimita, filho de Buedah;

Os filhos de Orath nasceram no Palácio ao centro do ajuntamento dos Vilca seis meses após sua concepção. “Seis meses é um sinal…” disseram os antigos, pois os filhos dos homens não nascem e sobrevivem a um período inferior a nove meses. Porém, os filhos de Orath nasceram após seis meses de concepção e em alta noite, todos no mesmo momento, na Casa das Mulheres dos três Censores, rindo em alegria. “É um sinal…” disseram os antigos, pois os filhos dos homens não riem ao nascimento. O riso dos filhos de Orath era tão alto e gracioso como o som dos sinos do Oráculo de Mithmard e ecoou por todo o Malgaroth. Instruídos pelos Censores, os Vilca acenderam dezoito velas e incenso em suas tendas e comeram sementes com mel em reverência aos filhos de Orath.

As tendas coloridas dos Vilca foram assim iluminadas em meio à escuridão daquela noite cobrindo o Malgaroth em um amarelo lustroso para receber em suas terras os filhos de Orath. Nos céus podia-se também observar a alegria em Bel, pois dezoito firmamentos surgiram se sobressaindo em luz aos exércitos de luzeiros que circundam suas fundações. A esse respeito a profetisa (quando no tempo em que liderou os Vilca em sua fuga dos domínios da cidade dos construtores), havia recebido um sinal do Uno. Tal evento tornou-se festa separada a Orath no fim do mês terceiro, para lembrar a chegada dos filhos de Orath à Terra dos Carvalhos através das dezoito virgens dos Vilca. Os Vilca assim o fazem em memória dos Míticos Alados.

O riso dos infantes de Orath chegou aos portões de Bel, avisando a Cidade Abençoada do nascimento dos filhos de Orath. É dito que Claekuth viu no poço de Mithmard as hostes dos Senhores Atemporais em júbilo acendendo as dezoito Pilastras de Cristal que suportam as fundações de Bel com o brilho do fôlego de seu pai Orath. Sim, Orath ao ouvir o riso dos seus infantes ergueu-se de seus Jardins das Delícias ao norte de Bel (onde à noite descansa respirando o aroma de suas rosas cintilantes azuis) num grande salto de uma única perna e, com seus pequenos olhos castanhos arregalados e grandes pelos enrijecidos, deu três passos saltitantes para trás. O brilho que se fez nos olhos do alegre Orath produziu alto fôlego (que saiu pelas suas narinas) foi tão intenso que dele escaparam grandes labaredas de prata gotejantes que voavam pelos ares do jardim.

As gotas que caíam das labaredas sobre as diversas flores dos Jardins das Delícias de Orath se transformaram em pequeninos luminares cintilantes da noite que saíram de Bel para povoar as florestas da Terra dos Carvalhos1.

Enquanto as grandes labaredas flutuavam sobre os Jardins das Delícias de Orath, os Guardiões das Pilastras Zemital, Zilcadosh, Zidorah, Zimeril, Zakiradiah, Zekilameh, Zelmiaelin, Zotia, Zortiemeu, Zamiterion, Zatemias, Zofielau, Zokedash, Ziperath, Zipori, Zemetiah, Zimatrion, Zeturin receberam ordens do Uno para capturá-las com seus candeeiros e aprisioná-las no interior das dezoito pilastras que suportam as fundações da Cidade Abençoada para que todos vissem a glória de Orath.

Assim, as Dezoito Chamas do Fôlego de Orath se transformaram em guias para que os homens soubessem a localização de Bel entre o firmamento dos céus e as suas próprias fundações. Naquela noite os homens incrédulos dos Milcah puderam reconhecer a existência de Bel e eram, portanto, indesculpáveis de sua imoralidade e desígnios continuamente maldosos que nasciam em seus corações perante os Atemporais. É dito pelos antigos que o juízo do Uno a respeito dos Milcah se deu a partir do surgimento das Dezoito Chamas do Fôlego de Orath conforme o sinal dado à profetisa da Vila dos Thelim2.

Continua…


1 – Assim, a partir de tal episódio, se pode ver em Acheron animais capazes de produzir luz.

2 – Por oitenta anos foi anunciado a destruição da cidade dos construtores por conta de seu malfazejo contra os desígnios do Uno através das palavras da profetisa. Entretanto, os Milcah permaneceram no Malgaroth virando suas nucas para as palavras do Uno e pervertendo seus corações a toda sorte de atividade e prazer ilícito.

Sobre o Autor

perdeu as contas de quantos mantras realizou para zerar aos onze anos Faxanadu. Suas habilidades crescentes já na infância o levaram a fazer uso da Master Sword todas as vezes em que houve necessidade (desde a Criação até a Era o Caos e da Prosperidade). Atualmente anda às voltas com os reinos de Boletaria, Lordan e Drangleic porém nunca esquecendo que deve estar de pé às seis para levar luz àqueles que necessitam. Gosta de caqui, sustos, games, comida-que-mata, poesia, pringles, fantasia-fantástica, pôr-do-sol... e Pepsi! Não necessariamente nessa ordem.

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