Céu e Mar se encontram como em uma batalha e neles podemos ver guerreiros elementais.

As Crônicas de Acheron | Da criação de Draemoniach e a da Dissensão entre o Vento e o Sol

Publicado em 16 de março de 2016 | Por Antonio II | As Crônicas de Acheron, Contos

As Crônicas de Acheron é uma série de fantasia publicada toda quarta-feira no Mapingua Nerd.
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Registrou o escriba:

Quando a fagulha de Draemoniach foi criada, o deus dragão ainda não possuía sua forma corpórea transparente como as areias de vidro que recobriam o vale reluzente de Clatemariaeh, pois para Gorath – seu criador – absurdo seria. “Afinal, deuses criados não podem ter corpo até que seu caráter divino os façam assim o ser”, pensam os Atemporais. Draemoniach (em sua aurora) ainda como brisa cinzenta passeava pelas manhãs diariamente por Acheron procurando formas semelhantes a ele e sempre ao fim de cada dia retornava entristecido às nuvens de Bel em forma de cálido vapor pela ação incansável do calor do Sol que por força de ordem dos Atemporais sempre se esconde no ocidente. Assim era a determinação de Gorath e seus irmãos, sim assim era. “Tua missão até receberes tua prenda é cuidar das sementes do solo e dar ânimo aos que passeiam pelo mundo, pois o Sol é implacável e sempre subsistirá até a sua irmã Lua o expulsar para o horizonte ocidental. Esse é o Ciclo. Cumpra-se o Ciclo. “

“- Quando terei um corpo?” A angústia de Draemoniach era constante e persistia, pois, enfadonho era para o deus criado passear sobre toda Acheron em um ciclo sem fim percorrendo campos e vales. Em seus sonhos, se via grandioso e com poderosas asas. Sua tristeza por ser apenas a Brisa o fez nutrir inveja do Sol. E assim, a inveja levou Draemoniach à ambição. O deus criado desejava dominar o calor do Sol. Então, a Brisa já não mais percorria Acheron e a terra começou a sofrer. Florestas e animais foram dizimados. O Sol esbravejou seu calor e castigou a terra. Sim, Acheron foi castigada pela Dissensão entre a Brisa e o Sol. Pouco a pouco, os grandes carvalhos que existiam por toda a juvenil Acheron secaram. As macieiras de Nelmitri eram agora arremedos cinzentos e ressequidos de sua outrora cintilante beleza. O Clatemariaeh se tornou paulatinamente vazio e sem vida. Se antes a terra era verde e portentosa em diversidade de seres viventes, a Dissensão entre a Brisa e o Sol passou a depredá-la.

A inveja de Draemoniach o levou finalmente ao ódio. E então veio o Vento. Violento e imperioso, o Vento destruía como o calor do Sol. Porém rapidamente. Acheron ainda jovem era a Terra dos Carvalhos. E muito foi destruído pelo Vento. Os carvalhos já secos foram derrubados. Parte das Moleth não subsistiu aos ventos (é dito que os maiorais da tribo de Vilca em tempos posteriores foram os reformadores das assombrosas construções). Tribos dissidentes da primaveril raça dos homens que se recusavam a habitar nas cidades dos construtores foram quase que dizimadas pela ação destruidora do Vento. Acheron entrou assim no período que os antigos hoje chamam de Dissensão.

Ao observar o malfazejo do Vento, o Sol em fúria emanou dez vezes mais calor. Assim, a Dissensão entre Vento e Sol açoitou dez vezes mais Acheron. Nelmitri já não existia, as intermináveis florestas de carvalhos rarearam, o Malgaroth e o Sithen já não possuíam mais seu colorido cintilante. Todas as regiões conhecidas pelos homens refletiam aridez e morte pois a Terra dos Carvalhos era tomada pela confusão e destruição sem limites refratária ao embate dos dois deuses criados.

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Ao ver isso, sim ao ver que sua criação estava prestes a desaparecer, os Atemporais disseram: “Não é bom que os deuses criados destruam nossa obra. Os homens devem existir para lembrar que nós os criamos. Esse é seu tributo pela vida a eles doada. ” Porém, os Atemporais são longânimes. Gorath diariamente descia de Bel na viração do dia em sua forma de coruja armadeira para advertir o Sol e o Vento de suas más ações. Na velha língua podia se ouvir o cantar de Gorath dizendo:

“Eu sou o deus do Tempo e advirto tu, Sol e tu, Vento! Dez anos tens para assumir entendimento de que eu e os meus te fizemos provimento da existência que a tua malevolência tem destruído a terra em detrimento de tua inconspícua vaidade em querer ser maior deidade!

Assim, verás sem vendas que a tua prenda será grande água súbita de Bel que te anulará para assim inundar a terra que agora erra em não te vomitar…”

***

Dez anos foi o tempo predito por Gorath para que houvesse paz entre Vento e Sol. Mas o Vento e o Sol viraram a nuca para as advertências dos Atemporais. Durante o período de predição,  Lamech, Lemach e Limeuth viram seu povo perecer ao sopé da grande planície do Malgaroth. A planície agora era uma grande extensão de terra seca e sem vida, recoberta de troncos podres retorcidos repousados forçosamente pela ação do vento sobre o solo poeirento e seco. Os Vilca – antes prósperos dissidentes da cidade que ergueu as torres Moleth – usavam o vale como morada de sua tribo e fonte de subsistência. Disse Lemach a esse respeito:

“-Vento e Sol não acabarão sua obra até que todos morramos, pois eles se odeiam e invejam um ao outro. Injusto é que pereçamos por inveja e ódio de deuses criados. Bebamos o muco de virgens para invocarmos Orath! Ele nos auxiliará na sobrevivência de nosso povo, tornando-o mais e mais fecundo!

Então, Lamech, Lemach e Limeuth extraíram muco de virgens e beberam. Beberam o muco das virgens e não se alimentaram de sementes e nem da carne salgada que tinham ainda guardadas na dispensa de seu palácio. Era noite, quando o Atemporal apareceu. Orath e seus olhos pequenos, com grande boca disse:

-“Por que bebestes muco de trinta virgens para me chamar? Bastaria tua abstinência e as sementes, pois sempre tive negócios com teu povo. O muco das trinta virgens que bebestes era para mim.”

Limeuth temeu e caindo em terra apenas com seu manto bordado em palavras da língua antiga balbuciou:

-Ah, senhor! Estamos desesperados, eu e meus irmãos! Teus filhos Vento e Sol destroem a terra que vivemos por justeza de conquista contra os bárbaros indignos que antes aqui habitavam e já ouvimos dizer que tal conflito se espalhou por toda Acheron! Clamamos por auxílio pois perecemos!

Ao ouvir as palavras de Limeuth, os muitos pelos do corpo animalesco do Atemporal fálico se enrijeceram e Orath andou três passos para trás. Suas grandes mãos então repousaram sobre sua longa barba acariciando-a. Pensativo, sentenciou:

“-Dá-me as trinta virgens hoje pois nelas farei os que hão de combater o Vento. Assim todos verão a glória de Orath. Quanto ao Sol, meu irmão Gorath já o sentenciou com a água súbita que virá e o esconderá por dez dias. Depois disso todos os que viverem em Acheron reconhecerão aqueles que os criaram.”

Apreensivo com as palavras de Orath, falou Limeuth com voz trêmula:

“- Senhor, quem é a Água para que nos alegremos quando ela trouxer nossa redenção? Como vamos reconhecer a Água? Dá-nos um sinal!

Orath, observando Limeuth se movimentar em círculos então sorrindo disse:

“- Quando a Água que provém de Bel aparecer, certamente sabereis. Pois coisa alguma jamais apareceu semelhante em Acheron. A Terra conhecerá o terceiro poder. Ele fará com que o Sol se cale e os homens ingratos se voltem para os Atemporais em temor e medo. Sim, a Água doutrinará os homens sobre o poder de Orath.

***

Lamech, Lemach e Limeuth ouviram as palavras de Orath e ponderaram a respeito. Então Lemach ordenou que o eunuco-chefe da Casa das Mulheres reunisse as trinta virgens para uso de Orath. Orath conheceu-as uma a uma em três dias e três noites continuamente. O vigor de Orath é infinito e doze das trinta virgens sucumbiram ao vigor de Orath. Eram de sangue fraco impuro aos olhos de Orath, pois os Vilca eram adoradores do Atemporal Orath. Diz-se que as virgens que sucumbiram Orath na segunda noite eram impuras de sangue dos Vilca. Lamech ao saber disso, ordenou que exterminassem a família de cada virgem que sucumbiu ao vigor de Orath.

A morte das dozes virgens não agradou Orath, pois o Atemporal sentiu cheiro de sangue fraco na ponta de seus grandes dedos. Para Orath, as virgens que sucumbiram ao seu vigor eram “sangue ruim”. Orath disse aos Censores dos Vilca que as doze virgens que sucumbiram ao seu vigor na segunda noite deveriam ter seus corpos queimados e suas cinzas lançadas no Poço da Perdição, que está no sopé das Moleth, para que suas almas sejam tragadas pelo Outro Mundo Inferior e haja sofrimento de arrependimento.

Quanto as dezoitos vivas, Orath teve sucesso em seu intento. O Atemporal bebeu o muco das trinta virgens, as mortas e vivas. Orath produziu alegria em dezoito virgens a ponto de sua semente conceberem em meio ao prazer de três dias e três noites que receberam do vigor do Atemporal fálico. Assim surgiram dezoito infantes e esta é a lista, segundo o que é dito pelos antigos:

Sinorah, filho de Amelá; Mokau, filho de Derach; Kiléu, filho de Sounit; Famila, filha de Cinepit; Vilcmah, filho de Sefarit; Beninona, filha de Etrich; Simarit, filho de Jedil; Semit, filho de Maliq; Diriri, filho de Policuat; Nuh, filho de Illil; Siderur, filho de Jeúd; Zitriu, filho de Suaba; Xituh, filho de Liput; Ashiter, filho de Mitrileh, Fildenas, filho de Matril; Riltrash, filho de Silbesh; Gaduda, filha de Oret; Ashimita, filho de Buedah;

Os filhos de Amelá, Derach, Sounit, Cinepit, Sefarit, Etrich, Jedil, Maliq, Policuat, Illil, Jeúd, Suaba, Liput, Mitrileh, Matril, Silbesh, Oret e Buedah iniciaram a linhagem dos Míticos Alados.

E o houve dissensão entre o Sol e o Vento por dez anos. Os filhos e filhas de Acheron as consequências sofreram. A Terra dos Carvalhos agonizava com a fúria do Vento e o Ódio do Calor…

 

Sobre o Autor

perdeu as contas de quantos mantras realizou para zerar aos onze anos Faxanadu. Suas habilidades crescentes já na infância o levaram a fazer uso da Master Sword todas as vezes em que houve necessidade (desde a Criação até a Era o Caos e da Prosperidade). Atualmente anda às voltas com os reinos de Boletaria, Lordan e Drangleic porém nunca esquecendo que deve estar de pé às seis para levar luz àqueles que necessitam. Gosta de caqui, sustos, games, comida-que-mata, poesia, pringles, fantasia-fantástica, pôr-do-sol... e Pepsi! Não necessariamente nessa ordem.

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