As Crônicas de Acheron | A respeito dos Milcah, das Guerras Silenciosas dos Irmãos e da chegada da Água Súbita

Publicado em 20 de julho de 2016 | Por Antonio II | As Crônicas de Acheron, Contos

As Crônicas de Acheron é uma série de fantasia publicada toda quarta-feira no Mapingua Nerd.
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Quando o domínio dos Milcah foi destruído como consequência da Dissensão entre Vento e Sol, o povo orgulhoso que levantou a grande Cidade dos Construtores foi espalhado além dos limites do Malgaroth. Sim, Formetalion – a grande fortaleza – e suas imponentes Moleth foram derribadas pela ação odiosa do Dragão azul contra o Sol no breve período que antecedeu o fim da Era dos Profetas do Caos (assim como foi dada a predição dos Maiorais sobre o malfazejo dos povos rebeldes) e a chegada da Água súbita. A esse respeito os homens dos Milcah foram indesculpáveis pois seu pai Gorath a cada viração do dia descia de Bel em forma de coruja armadeira para anunciar a vontade do Uno a respeito de seu malfazejo.

Pelo orgulho de seus grandes feitos, os Milcah viraram suas nucas para a sentença de seu pai Gorath. Afinal, diziam seus reis: “que força pode sucumbir tamanha cidade que construímos para nosso orgulho e memória eterna?”. Tal orgulho levou três gerações de reis dos Milcah a oprimirem os Vilca no período que ficou conhecido pelos antigos como as *Guerras Silenciosas dos Irmãos. Os Milcah assim assaltaram por cento e oitenta e três anos seus irmãos Vilca imprimindo fome e destruição sobre seus devotos irmãos. Isso em muito desagradou o Uno e seus Filhos. Assim, Orath e Gorath não se entendiam por conta de tal malfazejo e Fyr de olhos cegos se fez juntamente com seu irmão Zetricon e por conta da questão entre os Milcah e os Vilca houve reunião em Bel.

Quando o Uno se reuniu com seus filhos em Bel a esse respeito, Gorath foi chamado para assim dizer sobre o que tinha visto a cada visita à Terra dos Carvalhos. “- Com lágrimas digo que meu canto não se fez ouvir à essência dos meus filhos”. Disse o Maioral do Tempo e do Heroísmo. “-Dito tenho: teus filhos não ouvem nem a ti nem a nosso Pai. Sangue ruim se faz na carne dos reis do Formetalion. Heroísmo sem obediência vazio o é. Veja, o quanto os filhos dos Vilca têm sofrido sob a mão da conquista malévola dos Milcah. Desde Alabeth até Desmolaeh  por três  gerações meus filhos têm sentido dura opressão por conta do malfazejo dos Milcah. Acabar isso tem de acontecer!” Disse melancólico o Maioral dos Prazeres Lícitos, coçando sua cabeça peluda.

“-Não pensei que tudo isso não tenho visto, meus filhos. Pois nada escapa ao meu conhecimento. E a esse respeito tu – Orath- meu arauto, já levou notícia ao povo dos Vilca. Tu, Gorath assim o disse também ao Vento e ao Sol. Noventa anos se passarão para que haja arrependimento nos Deuses criados e na essência dos homens. Depois então o malion da minha ira se encherá e então virá a Água súbita e tudo assim será destruído. Quando houver júbilo pelo nascimento dos filhos do meu Filho… os homens por fim terão sinal e serão indesculpáveis de seu constante malfazejo. O intento de Draemoniach não subsistirá os meus desígnios” Sentenciou o Uno.

Assim se cumpriu as palavras do Uno. E após a predição do Uno a grande Formetalion foi derribada. Sim, por conta do orgulho e adoração aos demônios do panteão dos Bellihim (pois é loucura fazer do homem um Deus) os grandes construtores dos Milcah se entregaram aos prazeres ilícitos aborrecendo em muito o Uno e ao termino do tempo predito por Claekuth a Cidade das Grandes Torres foi por fim derribada pôr fogo e tormenta durante o fim da Era dos Profetas do Caos.

***

Essas são as quatro gerações de reis dos Milcah que oprimiram seus irmãos Vilca: Alabeth, filho de Muvriah reinou sessenta e três primaveras sobre a Cidade das Grandes Torres. Alabeth –com onze primaveras a carne de Alabeth subiu ao trono dos Vilca e com mão poderosa reformou as muralhas da cidade, reforçando suas fundações e construindo palácios de banhos de água límpida que nascia da terra. Amou os prazeres ilícitos mais que o Uno e queimou dois de seus três filhos nos altos das muralhas em homenagem aos demônios do Bellihim. Era grande cavaleiro e afeito a guerras e junto com seus exércitos dizimou os pequenos povos que habitavam os limites do outrora fértil do Clahtemariaeh. Sua sede por conquistas o levou a perseguir fortuitamente seus irmãos Vilca nas fronteiras entre os dois domínios iniciando assim as Guerras Silenciosas dos Irmãos. Foi assassinado por sua concubina Milatrae e seu corpo foi lançado secretamente pelo povo de Thelim no Poço da Perdição por tamanho malfazejo contra seus filhos.

Após a morte de Alabeth, seu sobrinho Hihjik – com dezessete primaveras incompletas – subiu ao trono dos Milcah. Hihjik assassinou então o infante Alabeth II afogando-o no Poço da Perdição – pois dizem os antigos que tal morte é sentença de não retorno certo da essência após o cumprimento do ciclo dos homens e da paga de servidão a Fyr – e amou muito mais os prazeres ilícitos que o Uno. Nos tempos de Hihjik, o povo dos Milcah queimava constantemente seus filhos nas muralhas da cidade em homenagem aos demônios do Bellihim. Sobre isso é dito que Servatenal se alegrava em muito ao ver os infantes dos Milcah se debaterem sobre o madeiro onde eram empalados em meio aos gritos de sua carne em chamas e se podia ouvir as risadas do demônio devorador da essência dos infantes durante os sacrifícios enquanto caminhava sobre as muralhas da Formetalion. Hihjik cobrou tributos sobre os Vilca e mantinha seus arqueiros caçadores em vigília para caçar os transeuntes que além de suas muralhas percorriam o Malgaroth. Treinou grandes cães cinzentos para caçar os animais dos Vilca e aumentou em muitas dores a opressão silenciosa dos Milcah sobre seus irmãos. Decerto que era afeito às grandes éguas nobre e cabras leiteiras, construiu uma casa para seus animais a fim de se divertir com eles. Às cinquenta e cinco primaveras contraiu uma praga que tornou sua carne branca como a neve assim apodrecendo seu rosto, pés e mãos. Sua desafeição às mulheres o impediu de deixar semente. E assim sua carne foi queimada fora dos domínios da cidade pelos seus após expirar, pois os nobres Milcah temeram que a praga de Hihjik sobreviesse sobre o povo.

Após a morte de Hihjik, Desmolaeh subiu ao trono da Cidade das Grandes Torres. Sim, possuía vinte e duas primaveras a carne do nobre Milcah quando rei do povo dos construtores se tornou. Amou Desmolaeh muito mais aos prazeres ilícitos que o Uno e incentivou o povo a enterrarem vivos seus filhos em homenagem aos demônios dos Bellihim. “O ventre do verme” de Servatenal muito se alegrou ao tragar para suas entranhas os infantes dos Milcah. Sob as cãs de Desmolaeh houve tremendo malfazejo na terra dos Milcah e o povo perverteu os costumes naturais para se alegrar com animais nas festas oferecidas a Sibalém e sua consorte Jomajih. Sob ordens de Desmolaeh foi erguido o panteão dos Bellihim. É dito que sob os auspícios de Desmolaeh, o ardiloso Miletahal provocou a queda do nobre Atheran nos Jogos de Honra onde o herói Vilca sucumbiu à lança envenenada do dissimulado Miletahal. Voraz era Desmolaeh por riquezas que após o enfraquecimento dos Vilca – pela perda de seu maior herói – invadiu ele as terras de seus irmãos promovendo saques e finalmente revelando a intenção dos Milcah sobre seus irmãos. A violência de Desmolaeh era tamanha que ordenou esquartejar e queimar quatro de seus filhos em homenagem a Servatenal no alto as Moleth consagrando-as assim aos Bellihim. Porém seu filho Drimin se escondeu nas galerias dos Palácios de banhos – com o auxílio das servas de Claekuth Liamin e Liorden – para não ser assassinado e lá permaneceu por oito primaveras com elas até seu pai Desmolaeh – em sua nonagésima oitava primavera – sucumbir a uma febre súbita, quando finalmente subiu ao trono dos Milcah.

Drimin, então com vinte e quatro primaveras subiu aos tronos dos Milcah. Drimin ouviu o conselho de Claekuth e colocou fim às Guerras Silenciosas dos Irmãos se ocupando assim em instrução para si. Investigou Drimin exaustivamente os registros dos antigos e o Livro dos Dias, se voltando para o Uno e seus Filhos. Assim, derribou os postes das muralhas e convocou o povo da Visão para lavar as Moleth do malfazejo de seus antepassados. Também derribou a casa dos animais que Hihjik havia levantado para seus prazeres ilícitos e fez cessar a perseguição de seus arqueiros caçadores e grandes cães cinzentos aos que andavam ao redor dos domínios dos Milcah. Também proibiu o povo de assassinar seus filhos aos Bellhim. Quando foi alertado pelo povo da Visão que o tempo da predição do Uno já havia terminado, rapou sua cabeça, rasgou sua túnica e se alimentou de cinzas por um mês lunar. “-Quem sabe se eu me humilhar o Uno se voltará para o meu povo e nos perdoará de tamanho malfazejo.” Entretanto a esse respeito, Gorath visitou Drimin na viração do dia e disse:

“ – Por três gerações meus filhos perseguiram os filhos de meu irmão e de meu Pai,

E com muitos ais assim houve sofrimento a todo momento dos Milcah para os Vilca,

Agora pois… Drimin, que infelizmente teu reino foi contado entrementes ao cumprimento da predição,

Para que se saiba na Terra dos Carvalhos que fogo cairá do céu e que não há orvalho que não possa ser convertido em violenta água,

 Que antes vinha muda e que quando surgir agora assim será chamada de chuva!”

Ao ouvir as palavras da coruja armadeira, muito se entristeceu Drimin pois acreditava confiantemente que o Uno se voltaria para seu desejo em face de sua essência contrita. Porém com as palavras de seu pai Gorath, soube Drimin que seu desejo ardoroso não seria atendido. Isso tornou má a essência contrita do rei dos Milcah. Agora a incredulidade dominava o coração de Drimin e assim o rei dos Milcah passou a conjecturar: “- se agora o Uno já não ouve mais a minha voz então já nada resta a não ser fortificar as Moleth e construir uma estrada que nos leve ao Bosque Abençoado para assim saquearmos as macieiras e partilharmos eternidade que o Uno quer tirar da essência do nosso povo. “ Pensava Drimin.

Continua…

Sobre o Autor

perdeu as contas de quantos mantras realizou para zerar aos onze anos Faxanadu. Suas habilidades crescentes já na infância o levaram a fazer uso da Master Sword todas as vezes em que houve necessidade (desde a Criação até a Era o Caos e da Prosperidade). Atualmente anda às voltas com os reinos de Boletaria, Lordan e Drangleic porém nunca esquecendo que deve estar de pé às seis para levar luz àqueles que necessitam. Gosta de caqui, sustos, games, comida-que-mata, poesia, pringles, fantasia-fantástica, pôr-do-sol... e Pepsi! Não necessariamente nessa ordem.

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