As Crônicas de Acheron | A passagem de Zitri e Melikae para o Mundo Mosaico de Atheran parte II: a partida de Zitri

Publicado em 31 de agosto de 2016 | Por Antonio II | As Crônicas de Acheron, Contos

As Crônicas de Acheron é uma série de fantasia publicada toda quarta-feira no Mapingua Nerd.
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– Olhe, Zitri. Aquela grande construção parece ser o nosso destino. Estamos bem próximos… andai, vamos mais rápido! – disse o eufórico Melikae.

– Estou um pouco cansado. Essa caminhada enfraqueceu minhas pernas… vamos um pouco mais devagar, meu amigo – respondeu ofegante o mago.

Os dois jovens tremareanos haviam tomado a larga rua pavimentada em granito que dividia a cidade em ruína do povo orgulhoso de Nuth ao meio desde os seus grandes portões. Após certo tempo de caminhada, avistaram um grande templo. Apesar da cidade se encontrar em escombros, o templo avistado pelos jovens aparentemente estava preservado do poder destruidor que a derribou e a extravagância dos ancestrais dos artesões de Nuth – os construtores da Formetalion –  ainda podia ser notada nos arabescos intricados que adornavam a fachada do lugar e as oito largas pilastras que sustentavam seu teto granítico. Enquanto observavam curiosos a opulenta construção também notaram a existência de corpos de joelhos mumificados com o rosto e braços voltados para o chão ao seu derredor. Melikae se aproximou de um entre os vários que estavam sobre os grandes degraus das escadas convergentes ao seu pátio central.

– Rígido… e ressequido – disse o reflexivo bardo contador ao exercer força com as mãos sobre os ombros da múmia.

– O que será que houve para que essas pessoas terminassem suas vidas de tal maneira?! Muitas carregam cajados com lanternas e bagagens em suas costas. E a posição em que se encontram… estariam em atitude de adoração? Ou tentando se proteger de algo? – ponderou Zitri sob olhar mais atento.

– Olhai, a expressão do rosto desse aqui… parece ser de agonia. – disse com um discreto sorriso Melikae ao torcer o pescoço de um corpo ajoelhado, separando-o de sua cabeça para mostrá-la a Zitri em tom de brincadeira.

-Percebo que teu peculiar humor aos poucos tem retornado, meu irmão. O que tem passado para tua essência se apresentar por vezes renovada? – perguntou o curioso Zitri.

Melikae então emitiu um leve suspiro e fitando seu amigo de caçadas e poesias respondeu:

– São meus sonhos, meu irmão. Eles têm retornado a mim repetidamente essas últimas noites… Ranemann e eu. Neles, estamos sempre deitados e mãos dadas conversando. Como após o Ritual da Lua. Só que não existe uma cama de palha e lírios ao nosso redor. E sim os pequenos animais do Malgaroth… nos observando e sorrindo. Saibais disso, Zitri… pensar na possibilidade de reencontrar Ranemann tem me dado esses tempos novos ares a respeito de nossa demanda. Porém, ao imaginar que ela e Atelith estão por aí a sós… isso… me é preocupante.

– Não crês que ambas possam cuidar uma da outra? Atelith… é extremamente habilidosa no uso de adagas… e tem boa destreza com arcos e flechas. Eu a vejo mais determinada e de fibra firme que Ranemann. Ambas já provaram seu valor em treinamentos comigo e até contigo! Atelith tem atitudes por vezes estranhas… porém, ela sempre assim o foi desde a infância. Mas o Dom da Visão que falta em Atelith… Ranemann tem em grande domínio. Sob meu ponto de vista, nossas irmãs se completam em habilidades… agora, certo é que a demanda delas é perigosa por demais. E isso preocupa a mim também, se queres saber a respeito. – ponderou, Zitri.

– Não é esse o ponto, meu amigo. Na verdade, quanto mais aperfeiçoo todos esses tempos meu amor por Ranemann na brasa da saudade… mais me preocupo sobre a companhia de Atelith. Não deve ser fácil para Atelith carregar a Marca da Rejeição na mão esquerda e saber que seu sangue é o mesmo de Lamech1 Fico imaginando se as constantes disputas entre nossas irmãs são tributárias a consciência de Atelith saber de alguma forma… já desde a tenra infância… que ela estaria destinada a algum tipo de papel secundário para esse momento, pois a predição de Claekuth2 a descartava em favor de Ranemann. Deve ter sido deveras difícil para ela moldar seu caráter em Bondade, crescendo ao lado de Ranemann. Por mais que toda a bonança por ser filha do Guardador das Maçãs tenha recaído sobre Atelith… pesado também foi seu destino! – respondeu Melikae.

 – Concordo com tua opinião. Nem todas as honrarias de Thelim e das terras dos Vilca por Atelith ser filha de Morjal foram suficientes para reservar destino maior que o de Ranemann! Mas isso já diziam os Antigos. Claekuth provavelmente apenas replicou a velha predição. E tu?!… a ti também existe grandes palavras de Bondade preditas pela boca de Claekuth. Porém quanto a mim, por amor a ti me desprendi de minha serena vida de adoração aos Maiorais para engajar-me em tão pesada demanda. Tu mesmo também eras livre para ficar em Ziporih, pois as Palavras de Claekuth foram claras… apenas Ranemann seria a responsável em forjar o Punhal de Zetricon na Chama de Nu3. Elas foram as designadas! Mas teu amor por Ranemann te trouxe até aqui. E por conta de meu sangue bom que a ti é fiel, aqui agora também estou contigo… nas ruinas da Nova Nutherion…em busca da Mítica Arcana dos Nuth para que…quem sabe… possamos cair em alguma fenda do Gohin e assim voltar para algum lugar de Acheron. E que seja pelo menos uma estalagem onde se possa beber um farto malion transbordando de hidromel com noz moscada, canela e pétalas de rosas azuis! A minha receita favorita para hidromel! Não concordas, Melikae?! – retrucou Zitri, saudoso de bons goles da revigorante bebida.

– Não comece, meu amigo! Pois se não todo meu pensamento tornará para o que meu corpo mais sente falta: uma apetitosa refeição me tornaria outro homem! O som da minha castina casaria muito bem com geleia de morango e pão com passas. E codornizes assadas na banha com algum mel, verjus e hortelã! Seria incrível sentir o doce do mel mais uma vez… assim, minha castina poderia de novo cantar em alegria!” Disse o bardo, salivando abundantemente.

Ao responder a Zitri daquela forma, Melikae mais uma vez lembrou de como seu abençoado instrumento musical soava dissonante quando se envolveu com Atelith. A balada que compusera contando sua desventura amorosa com a sagaz guerreira Vilca4 tinha sonoridade estranha para tal gênero musical.

– Foi assim que Orath a concebeu a mim – pensou Melikae à época. Porém, o bardo contador nunca se conformou de ter encontrado tais acordes em sua castina com tamanha obscuridade sonora para tão radiante mulher como é Atelith. Afinal, a sua suntuosidade de caráter sempre chamou a atenção de Melikae. Nem todo o seu amor por Ranemann o fez esquecer da força dos sentimentos de Atelith. E vez ou outra isso perturbava Melikae. Com esses pensamentos o bardo continuou a observar os corpos mumificados ao redor do templo abandonado.

Assim, enquanto os dois jovens tremareanos investigavam os corpos, o estalar da pele seca que se rompia com facilidade dos músculos podres dos cadáveres ecoou por toda galeria, agitando assim os mericalhos que voavam lentamente por entre as estalactites nos altos da caverna.

– Percebeu que eles estão agitados desde que aqui chegamos, meu irmão?! –  disse Zitri, erguendo a cabeça para cima.

– O medo que em suas essências restou após a queda do Deus Serpente deve tê-los tornado assim. Assustados e histéricos. Está ouvindo isso? São eles conversando entre si. Que criaturas estranhas… o som se assemelha com o de um chifre gritador furado dos pastores de cabra do Malgaroth – respondeu Melikae com um sorriso largo por ter feito tal comparação.

– Tu e essa tua imaginação fértil, meu amigo! Hoje estais a toda atividade… mas vamos…continuemos a subir! Para os últimos degraus… o pátio já está logo ali!” Respondeu sorrindo em retribuição o sereno mago dos elementais enquanto apressava-se para chegar no topo da escadaria.

***

Lá estavam os dois jovens tremareanos no interior do templo. O lugar – como toda obra dos nutherianos – era monumental. Puderam admirar as estátuas de Atheran e suas consortes Gwinvein e *Mitranil no final do salão, enquanto que ao seu centro uma grande pilastra de rocha maciça com estruturas circulares de ferro o atravessavam até suas paredes. Uma grande mesa circular de ferro abraçava a pilastra com bancos de granito engastados no chão. “-Veja, parece que acontecia um banquete por aqui. Bandejas, pratos…copos e talheres. Todos dispostos e organizados sobre a mesa. Aqui… nesse prato…isso são ossos.” Disse o observador Zitri enquanto examinava o lugar. “-Existem entalhes nas extremidades da mesa, Zitri!” Falou Melikae, com contida euforia pela descoberta. “-Parecem representar eventos que aqui aconteciam…observa, meu irmão… as pessoas sentadas…com talheres nas mãos. Outras servindo pratos… a julgar pelo tamanho desse templo, os banquetes deveriam ser suntuosos.” Concluiu Zitri. “-Veja! Aqui…estão na mesma posição que os cadáveres lá fora! Estão adorando a Grande Serpente e sua pervertida família!” Apontou Melikae tocando os dedos sobre as gravuras entalhadas.

Já próximos das grandes estátuas dos Deuses degenerados, um súbito medo apoderou-se Zitri e Melikae. As feições dos rostos de Atheran e Gwinvein eram sisudas e malévolas. Posicionada ao centro, a cauda da Grande Serpente abraçava as pernas de Gwinvein a qual segurava sua ornada Kapele. Já os seus longos braços de prata agarravam a arcana Mitranil, representada em beleza sinuosa e severa. Um incensário esculpido na rocha circundava as grandes estátuas. Disse Zitri, observando-as de perto. “-Povo sanguinário, o de Nuth. Pelo tamanho desses crânios, são de infantes. Velho costume abominável esse! Não foi somente o orgulho que exterminou os nutherianos… o assassínio de inocentes também contribuiu para o malion da fúria do Uno transbordar no julgamento dos nutherianos. Tamanho malfazejo trouxe enfim destruição a esse povo tão habilidoso! Mas, olhai Zitri… aquelas estátuas ali ao largo!” Exclamou Melikae admirado com o que acabara de ver.

Oito estátuas reluzentes. Quatro em cada canto do altar. Volumosos braços segurando grandes lanças de ferro. Os *Mahims estavam em riste com suas armas. Imóveis e sem expressão. “-Pelo Uno, Zitri. É como nas canções… são maiores do que imaginei. E são de cristal! Veja as oito tranças e o elmo… exatamente como Morjal descrevera! *Nas Sagas dos Conquistadores das Terras Proibidas está registrado que eram de pedra e ferro! Mas são de cristal!” Admirado, o bardo contador lembrou das várias canções a respeito das criaturas guardiãs do Gohin que se espalharam por Acheron a partir de Celhin com a chegada das cinzas e poeira branca do Mundo Mosaico. “-Dizem que dento deles habita a essência dos que não cumprirão o Ciclo. Os Maiorais nos livrem de terrível destino, meu irmão. Vamos, olhemos mais de perto.” Disse o curioso Melikae.

-“Ouça o barulho desses mericalhos malditos… está cada vez mais estridente!” O dom de interpretar a linguagem de criaturas inferiores aguçara os sentidos de Melikae enquanto os dois jovens se aproximavam das estátuas dos Mahims. “-Veja… esqueletos próximos aos pés desses aqui. Algo eles protegiam…” disse Zitri ao se abaixar para tocar os ossos em busca de possíveis informações sensoriais. “-Não consigo captar sentimento algum. O que quer que tenha acontecido por aqui…foi há muito tempo…e as sensações já podem ter partido da matéria… malditos mericalhos gritadores! Esse barulho só me atrapalha! Talvez pudesse ouvir os sons do passado desse lugar, porém… da maneira que essas criaturas estão falando… certamente me é impossível.” Declarou o irritado Melikae ao voltar a ficar de pé.

“-Meu irmão, essa fumaça negra…os mericalhos estão em alvoroço… e vem de todos os lugares! Tu, que pode ouvi-los… o que estão a falar?” Indagou Zitri assustado ao se deparar com a cena. Uma multidão das criaturas aladas se misturava a fumaça negra que emanava dos altos da caverna. “-Não consigo compreender o que dizem, pois falam todos ao mesmo tempo… mas estão aparentemente assustados!” Concluiu o admirado Melikae. A fumaça então preencheu toda a vasta galeria e o ar tornou-se pesado e escuro, atrapalhando assim a visão dos dois tremareanos. E em meio a visão nebulosa e a gritaria dos mericalhos um grave ruído contínuo acompanhado de tremores que agitaram as fundações da caverna provocou pavor nos desprevenidos guerreiros.

“-Zitri, olhai! Os Mahims! Foram despertos e estão se movendo em nossa direção! Haverá batalha e seremos provados pelo Uno!” Gritou o bardo Melikae buscando sua espada curta atada em suas costas. “-Corra, ide para o outro lado! Temos que nos separar para nos tornarmos menos vulneráveis.” Gritou de volta Zitri. Assim, as portentosas criaturas se dividiram caminhando a passos largos e ágeis. Seis seguiram à esquerda buscando Zitri. O mago dos elementais então – ao observar em meio a fumaça o rápido aproximar dos Mahims bradou enquanto buscava em seu bolso pequenas pedras elementais: “zetriquia furega cornalawd! Zetriquia furega cornalawd!” Assim, os olhos de Zitri brilharam intensamente em cores azul e vermelho e de seus braços foram expelidas colunas de fogo e gelo produzindo um forte impacto que derrubou quatro Mahims e lançou o mago ao chão.

“-Zitri! Zitri!” Gritou em desespero o bardo contador a certa distância. Assustado ao ver seu amigo caído, Melikae então rapidamente correu na direção das duas criaturas que vinham ao seu encontro, lançando-se por entre as pernas de ambas para confundi-las e assim Zitri do outro lado. Entretanto, rapidamente os Mahims tornaram para a direção dos jovens, se juntando assim com os outros dois não caídos que também rumavam para o mesmo lugar. De lança em punho, os Mahims assim alvejavam Melikae e Zitri.

“Levanta-te, meu irmão! O poder da tua magia te consumiu!” Dizia Melikae desesperado enquanto ajudava Zitri a ficar de pé em meio às grandes lanças de ferro que as grandes criaturas fincavam no chão fazendo assim a terra tremer. “-Não temos chance contra os guardiões simplesmente os atacando com espadas… recupera-te rápido enquanto os distraio.” Falou o ofegante Melikae. Então correu em direção dos Mahims o pequeno bardo na tentativa de distraí-los. As quatro criaturas – apesar de em estatura serem cinco vezes o tamanho de um homem – eram ágeis e habilidosas e a todo custo tentavam cercar Melikae para feri-lo com suas lanças de ferro. Porém o jovem bardo – por conta de sua maior agilidade e pequeno porte, desviava-se com destreza ferindo-as em seus calcanhares de cristal.

“-Melikae! Afasta-te e protege-te. Esses malévolos Mahims vão sentir o calor e o frio dos elementais de Acheron através das minhas mãos!” Zitri já recuperado então e com as pequenas pedras elementais correu a passos rápidos em direção aos monstros que haviam já cercado o bardo. Então mais uma vez Zitri recitou o poderoso encantamento a plenos pulmões. Com as pedras bem agitadas um círculo de fogo se fez ao seu redor se entrelaçando com uma coluna de gelo formando assim uma espécie de barreira entre ele e três dos quatro Mahims restantes. Com um movimento de braços para frente e para cima e as palmas das mãos estendidas o mago então lançou diversas ondas de ataque com a barreira de calor e gelo. O impacto rápido e alternado de temperaturas extremas sobre as criaturas provocou frestas sobre seus corpos de cristal, destruindo-os rapidamente. E assim os Mahims do Templo da Grande Serpente tiveram seus corpos despedaçados pelas mãos de Zitri, o tremareano de Ziporih.

Entretanto, Melikae ainda era perseguido pelo derradeiro Mahim. Para distraí-lo e não dar as costas ao inimigo perseguidor, o ágil bardo contador correu de um lado ao outro mantendo-se por entre as pernas do monstro, acertando-o com a espada em seus pés e calcanhares. O monstro enfurecido fincava sua grande lança de ferro sobre o chão rochoso na tentativa de esmagá-lo. O impacto da lança provocou tremores desequilibrando o Mahim que assim caiu aos pés da grande estátua do Deus Serpente. Os mericalhos –antes voando nos altos – passaram a descer agressivamente à superfície atacando os jovens.

-“Soltai-me, criaturas malévolas! Ajuda-me, Melikae! Melikae!” Zitri agitava-se desesperado na tentativa de rechaçar os mericalhos que descendo dos altos o atacavam. Enquanto Melikae estava cortando as tranças do grande Mahim caído que se debatia aos pés da estátua de Atheran com perna e braço destroçados por sua queda estrondosa, viu seu amigo sendo levado pelos mericalhos. “-Meu irmão! Por Fyr… fica onde estais que estou indo a teu encontro!” Rapidamente, desceu Melikae do Mahim em agonia e tomou rumo ao mago em apuros. Agressivamente Melikae então passou a desferir golpes com sua espada contra os mericalhos que também passaram a atacá-lo. “-Melikae! Estão me levando! Ajuda-me!” Esfacelando os mericalhos que o atacavam, o bardo se aproximou de Zitri pegando-o pelos pés com a mão esquerda. Porém a nuvem de mericalhos era massiva de tal maneira que Melikae não conseguiu manter seu amigo mago no chão e assim os mericalhos levaram Zitri para os altos da caverna.

Olhando Zitri desaparecer nas alturas, Melikae desolado se voltou para fugir dos derradeiros animais malévolos que ainda insistiam em investir contra ele. Em meio aos ataques, tirou sua castina abençoada da bolsa e sentado dedilhou apressadamente alguns acordes de encantamento que assim acalmaram os frenéticos animais. “-Pelo menos se foram por hora. Mas, para onde esses malditos levaram Zitri? E o que será dele?! O que agora será de mim…sozinho nessa demanda. Sem meu amigo e irmão!? Aqui nesse lugar abandonado pelo Uno e seus Filhos e repleto de mortandade… pressinto que minha desgraça agora está próxima.“ E em voz alta e com as mãos para o alto o bardo contador chorou por Zitri, aos pés das estátuas dos Deuses degenerados.

Foi quando o Mahim moribundo em seus últimos movimentos atingiu fortemente com seu braço restante as pernas da estátua de Atheran. O impacto do golpe foi tão violento que as destroçou e todo o corpo granítico da Grande Serpente ruiu e desabou sobre o chão. Melikae, deitado em prantos num canto observou a cena serenamente com lágrimas em seus olhos pequenos. “Se morrer, cumprirei o Ciclo com dignidade.” Teria pensado. A grande cabeça angulosa de Atheran despencou do pescoço da estátua, atingindo o chão com violência provocando assim um forte tremor na caverna. O chão do lugar então se fendeu e Melikae foi tragado pelo buraco ali aberto.

Continua…

I-Segundo os Antigos, Lamech “O que não se arrepende” em acheroniano médio. Porém após a sua queda ficou conhecido como “O que falhou”;

II- É dito pelos Antigos que Ranemann havia sido anunciada anteriormente a predição de Claekuth sobre as Macieiras de Thelim já na Era da Prosperidade;

III- Ou a Chama da Alegria de Orath pelo nascimento de Nu, o Mítico Alado filho da mui amada Illil;

VI-Dizem os Antigos que abençoada castina do grande bardo Melikae se recusou a ressoar belos acordes a respeito desse negócio;

V-É dito no Livro dos Dias que Atheran fez também da sanguinária Mitranil sua consorte quando após seu nascimento. Tal fato contribuiu para a revelação do mistério que se fez em Mitranil a respeito do ódio quanto a sua própria carne;

VI- Diz-se que os Mahims são receptáculos da essência dos homens que se recusaram a seguir os ditames de Bondade do Uno e seus Filhos e o Malfazejo oriundo do antítipo de Draemoniach. Com a chegada das cinzas e pó as terras de Celhin, tornaram-se guardiões do Mitral e dos limites das Terras Proibidas;

VII-Reunião de relatos a respeito dos grandes reis dos conquistadores que dominaram as Terras Proibidas até seu abandono;

Sobre o Autor

perdeu as contas de quantos mantras realizou para zerar aos onze anos Faxanadu. Suas habilidades crescentes já na infância o levaram a fazer uso da Master Sword todas as vezes em que houve necessidade (desde a Criação até a Era o Caos e da Prosperidade). Atualmente anda às voltas com os reinos de Boletaria, Lordan e Drangleic porém nunca esquecendo que deve estar de pé às seis para levar luz àqueles que necessitam. Gosta de caqui, sustos, games, comida-que-mata, poesia, pringles, fantasia-fantástica, pôr-do-sol... e Pepsi! Não necessariamente nessa ordem.

Comentários

  • Bruna Viapiana

    Tão completo que tem até glossário , é incrível como vc desdobra seu tempo!