As Crônicas de Acheron | A chegada de Melikae ao Gohin e seu encontro com Cravedin

As Crônicas de Acheron é uma série de fantasia publicada toda quarta-feira no Mapingua Nerd.
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Imagem de Capa: Winter Travellers II –  Andreas Rocha


 

“Que dor nos ossos! Mas ao menos é sinal de que vivo estou.” Pensou Melikae, caminhando pela trilha solitária.

O cenário branco como a neve repleto de esqueletos descarnados misturado a ervas daninhas e árvores secas era desolador. Após algumas horas de caminhada, o bardo contador avistou no alto do aclive construções demolidas de pedra. Desde que chegara ao lugar desconhecido tudo o que vira era desolação e silêncio. Sem ter ideia alguma de onde estava e sem a companhia de Zitri, Melikae caminhava já tinha algumas horas sem rumo ao longo da trilha. Avistar aquelas ruínas renovara sua pálida esperança de obter pistas a respeito de onde se encontrava. Assim, apressou seu passo estrada acima. Quanto mais próximo chegava de seu destino, mais ansioso ficava.

Foi então que viu grandes gaiolas de ferros penduradas nos galhos de árvores sem folhas por correntes presas ao chão. Algumas continham ossos secos. Num canto à esquerda, observou uma que continha um homem. Aproximando-se, olhou para o alto chamando:

“-Prisioneiro! Olhai para cá! Olá! Olhai! Dizei… que lugar é esse?”

O homem magérrimo, descansava de olhos fechados, sentado e se apoiando sobre as barras de ferro da gaiola. Não esboçou sinal algum para Melikae, que irritado pela desatenção do homem, lançou uma pedra, acertando o seu ombro. Assustado e tornando seu olhar para baixo, o avistou dizendo:

“-O que é isso que fazes, estranho? Deixai minha hora de descanso no silêncio…que já vou me divertir. Ai, como estou cansado disso aqui!”

Melikae respondeu:

“-Tentando chamar tua atenção, velho homem. Ouviste o que disse? Estou perdido e não sei para onde devo ir. Aliás, quem te subiu nesta prisão? O que fizeste para te prenderem? E como podes se divertir assim, preso?”

“ -Não sabes onde está? Hum, bem vejo que não deves, tua aparência… não pareces com os daqui. Olhai. Vede? São as cinzas. Elas caem e grudam na pele. Assim, não precisamos de roupa. E tu, está vestido. E as cinzas se desviam de ti. Obviamente, não és do nosso povo.” Respondeu o velho altivo, arrumando os longos cabelos loiros.

“- Tens algum problema que te impede de compreender o que falo? Pois já é a segunda vez que te pergunto sobre esse lugar, e tu divagas a respeito de minha aparência. Que difere em muito da tua. E a julgar por ela… certamente escapaste do Outro Mundo Inferior fugindo da fúria de Fyr! Dizei, homem decrépito… que lugar é esse? E o que fazes aí preso? Ao menos tens um nome?”

“-Ah! És o Escolhido?! Espero que seja dessa vez. Os forasteiros que vem das fendas entre os mundos vez ou outra aparecem por aqui…e nós sempre estamos o aguardando. Já faz um tempo que cheguei nessas terras, e em princípio era como imaginava. E foi muito mais interessante por um bom tempo. Mas, ultimamente… não tem sido tão divertido quanto antes. A novidade… se foi. No fim das contas, a liberdade torna o homem escravo dos seus desejos. E agora, estou aqui. Esperando o momento de ir novamente.” Disse o velho, interrompendo Melikae.

Tais palavras em muito intrigaram Melikae, que após um breve silêncio respondeu:

“-Não há nada de errado com minha aparência. E já que pareces confundir alhos com bugalhos, pelo menos diga…onde essa estrada termina?”

“-Em nosso assentamento. É onde nosso povo vive. Se tu fores o Escolhido, deves ir até a Torre. Chegando lá, encontrarás os Três Reis, e se eles permitirem, toque a Kapele. Assim, acabarás com a mesmice que corrói as nossas essências desgraçadas. Eu… eu poderia te ajudar. Mas é que logo eles vão chegar, e não terei tempo. Mas quem sabe nos encontramos novamente? Quero dizer… se tu fores o Escolhido! Ouça! É o Sino! Veja! Estão vindo! Posso ver daqui! Vai embora, forasteiro. Não seria agradável te encontrarem aqui comigo bem no meu momento mais prazeroso!

Sem compreender, o bardo então seguiu caminho acima, quando avistou ao longe vindo rapidamente em sua direção um grupo de crianças. Desconfiado, cobriu a cabeça com sua túnica se escondendo ao largo da estrada. De aparências semelhante à do velho, discutiam entre si enquanto interromperam a caminhada. E já próximas da gaiola que o continha, soltaram as correntes presas ao chão. A gaiola então tombou violentamente.

E Melikae –escondido atrás de um pequeno monte de pedras- pôde ver o homem decrépito ser torturado pelas crianças malevolentes. A pele pálida de seu dorso e costas era arrancada com as pequenas lâminas que os seis meninos tinham a mão. Os gritos de dor podiam ser ouvidos ao longe. Abismado com a cena chocante, Melikae ficou em silêncio enquanto os observava se divertirem recortando pedaços das extremidades do velho, que foi abandonado como morto no chão frio e pedregoso. As crianças seguiram rindo o caminho declive abaixo. Melikae rapidamente correu para o moribundo. Disse então em voz alta o bardo:

“-Pelo Uno! Ainda estais vivo? Que te fizeram aquelas pequenas criaturas de sangue ruim?! Por que te trataram assim? Que crime cometestes para receber tamanha paga, homem louco?!

O velho abrindo lentamente os olhos, e com dificuldade sorriu, dizendo:

“-Não fales desse jeito do que não sabes, forasteiro. Agora me vou, mas se ainda estiveres vivo quando voltar, certamente vamos nos encontrar de novo. E se fores mesmo o Escolhido…”

O corpo do homem se dissolveu em pó de cinza em um instante. E as cinzas se misturaram com o vento oriental que as carregou pelo ar pesado do lugar, restando apenas seus ossos. “Que feitiçaria é essa que aqui reina? Em que domínios maléficos acabei me metendo?” Pensou temeroso, o jovem bardo. Sozinho, e temendo por sua vida, só restara a Melikae caminhar seguindo a estrada para o assentamento que o velho falara. E assim Melikae o fez.

***

“-Ah, és tu novamente, forasteiro! Eu sabia que ainda nos encontraríamos! Pelo visto, ainda está vivo! Tua pele vívida não tem as cinzas dos que decidiram vir para cá…”

Às portas do Assentamento dos Livres* mais uma vez Melikae encontrou o velho. Confuso, disse:

“-Que maldição estou vivendo nesse lugar desolado e frio! Onde nem faz muito tempo que presenciei tu sendo assassinado por filhos do Caos em movimento…e agora estais aqui novamente! Dizei, velho! És uma essência desgarrada?

“- Ah! Aqui todos estamos fadados a esse Ciclo. Desde que as cinzas chegaram as nossas terras, fomos induzidos a crer que seria muito melhor assim. Mas, após inúmeras vezes dessa mesmice… já estou cansado. Na verdade, todos aqui estão. Se tu fores o Escolhido, corre… faz logo o que tens de cumprir conforme o que é dito a teu respeito.” Respondeu o velho

.

“-Do que falais de mim? Quem é esse Escolhido que dizes que pode ser eu? Nada do que pergunto respondes claramente! Tua maneira esguia de se comportar me irrita, velho louco! Podes responder as perguntas que te faço?” Falou Melikae, estalando os dedos das mãos em sinal de chateação.

“- Não se irrite com meu modo de falar, meu jovem! Estais aqui não tem muito tempo, e precisas te manter vivo para cumprir teu desígnio, se o Escolhido fores! E estou aqui para te auxiliar nisso. Olha, tu já chegaste na única cidade desse pequeno mundo. É aqui que se vive todo que vem das tuas terras e decide ser livre. Não os incomodes e não o incomodarão… não seja extravagante nas tuas maneiras. E se te convidarem para brincar, recusa gentilmente. Pois precisas te manter com a essência aquecida. Vai até a Taverna de Chamealh. Segue a estrada central da cidade. Se estiver faminto, vais certamente encontrar comida, bebida e alguma diversão. E talvez outros como tu! Respondeu o velho homem, sorrindo.

O jovem bardo tomou o caminho central dos portões de madeira da pequena cidade. “Adeus, velho louco”. Pensou. Tornou seu capuz novamente sobre a cabeça e indo, foi se distanciando dele.

“-Até mais, jovem. E ah! Para todos os efeitos, chamam a mim de Yofehl.” Disse ele.

Tornando o olhar na direção do homem, Melikae não pôde vê-lo. Havia sumido.

***

Enquanto caminhava sobre o chão úmido coberto de cinzas da estrada estreita que entrecortava pequenas cabanas de madeira recoberta por palha, algumas pessoas o observavam sem, no entanto, parecerem se importar com a presença do bardo contador. E após cerca de meia hora, Melikae chegou finalmente ao lugar indicado por Yofehl. A fachada da pequena taverna era adornada com crânios e ossos humanos, e a grande placa de madeira pendurada sobre a larga porta escancarada indicava que era aquele o lugar.

“-Trazei-me bebida. E comida também.” Disse o bardo ao homem que veio até ele à mesa.

“-Aqui temos somente cerveja preta. Digo logo para todos que vem de fora, pois para lá de nossas terras se prefere hidromel e vinho. Queres um odre? Quanto a comida, temos hoje apenas ensopado.” Respondeu o homem corpulento.

“-Pois admiro cerveja. E mais ainda preta! Com malte torrado e mel! Respondeu Melikae, observando as pessoas ao seu redor. O lugar estava repleto delas transitando por entre as mesas, enquanto outras sentadas estavam. Em meio ao barulho alto das conversas, recebeu do homem a bebida e a tigela com a sopa. “Quanto tempo que não como nada a não ser aquelas insossas escamas! Meu amado irmão Zitri, se estivesse comigo se regozijaria também com essa refeição! Hum! O cheiro da cerveja está ótimo!” Pensou Melikae.

“-E o gosto também é bom.” Disse o homem que, sentando ao seu lado, estendeu uma caneca para brindar.

Intrigado, Melikae em silêncio respondeu ao gesto do homem. Ele não se parecia com os outros que estavam ali, pois estava vestido com um casaco espesso e sua pele morena não era coberta de cinzas.

“-Cravedin, é assim que me chamam. E tu…deixa eu adivinhar… chegaste há pouco tempo, pois ainda está admirado. E acanhado. Não tenha medo! Não sou daqui… vim do Malgaroth, através de uma fenda. E tu, de onde és?”

“-Malgaroth!? Pois vim também daquelas amadas terras! És do Povo das Tendas? Ou de Thelim? Sou de Ziporih, mas há meses longe estou dos meus irmãos tremares! Todos os que estavam comigo pereceram e agora estou só.” Disse Melikae com o olhar de admiração em seu semblante, apertando a mão de Cravedin.

“- Pois eu aqui cheguei com ajuda de amigos em Thelim. Mas eles não quiseram vir comigo. E desde então estou perambulando pela vila há alguns dias… com cautela, claro. Afinal, deves saber que todo cuidado não é suficiente no Gohin.” Respondeu o jovem alto enquanto sorvia os últimos goles da caneca de cerveja.

“-Gohin? Pelos filhos de Orath… estamos, no Gohin?!”

“-Sim! Onde não linha que separa a Bondade do Malfazejo…como é dito no Livro dos Dias. Onde há luxúria desmedida e prazeres contínuos…. como diziam os que habitavam as Terras Proibidas. Ah ah! Mas então, não sabias? Como vieste parar aqui, jovem tremar?”

“-Não sabia. A última lembrança que possuo antes de me ver deitado ao chão, foi a de cair num buraco no interior das Femiaren. Estava com meu irmão, o grande mago Zitri. E fomos atacados por Mahims. Lutamos bravamente, mas mericalhos o levaram, e quase pereci na luta contra um grande Mahim. Na verdade, ao despertar… imaginei que tivesse cumprido o Ciclo e estivesse no Outro Mundo Inferior. Mas, não fui recebido por Fyr. Então fiquei confuso sobre isso, e agora aqui estou… em uma taverna, bebendo cerveja preta e tomando um delicioso ensopado no lugar onde o pesado fardo do jugo do Uno não alcança! Com um vilca! Quanta ironia do destino. Aliás, Me chamo Melikae.” Disse ele sorrindo dando de ombros, tomando em goles generosos o ensopado de ossos e cebolas.

“-Esses nomes me são conhecidos. A fama do teu grupo corre todo o Malgaroth! Porém, sinceramente os povos de nossas terras pensam que tu e teus amigos pereceram à demanda. Pois a própria Claekuth e meu amigo Morjal me enviaram para cá! Mas…que aventura, meu camarada! Certamente foi o Uno que te trouxe então aqui. E tua aventura continua comigo, pois temos coisas a fazer aqui. Ouviste falar sobre o Escolhido? Dizem que cada viajante de Acheron que aparece aqui é visto como ele. O que sabes sobre esse negócio?

Uma explosão de alegria acertou estrondosamente o coração de Melikae. Não podia acreditar que de maneira tão insólita encontrara um dos seus àquele lugar místico e perigoso. Claekuth e Morjal eram afinal, peculiares em sua forma de agir. Abraçando firmemente Cravedin, falou com um generoso sorriso:

“-Louvo o Uno, meu pai Orath e seus irmãos pelo dia de hoje! Não sabes como meu peito arde em euforia por ouvir teu relato, meu caro vilca! Que bom que está aqui! Pois perdi todos os meus ao longo desses tempos que abandonei minha vida simples para seguir com Ranemann nessa perigosa demanda. E se foi ela, Atelith e por último meu amado irmão Zitri. Deves ter ouvido de todos e de suas qualidades nobres. Mas mesmo assim fracassaram. E somente eu restei. Aqui.”

“-Pois também saiba que estou feliz por ter encontrado no Gohin, Melikae…o grande bardo contador. Claekuth tem o Dom da Visão, e certamente sabia desse nosso encontro. Ela não faria diferente se pudesse ajudar-nos de tal forma. Mas me diga, por que resolveram desviar o caminho para o norte… não teria sido melhor seguir a Malem* bem antes até a Floresta Escura? Dizem que o Caos em movimento reúne suas forças lá. As formigas tem trazido essas notícias do oriente para Thelim.”

“-Não era plano o Gohin. Mas ao perder Ranemann e Atelith em uma emboscada às margens do Acherontis… só restou procurar Mitranil através de uma passagem para o Mundo Mosaico*. Pois dizem os Antigos que o ódio pela própria carne a redimiu do malfazejo de seus pais Deuses degenerados caídos. Já no interior das Femiaren, vi a glória do Povo Artesão, e encontrei o próprio Fyr! E aqui, conversei com um velho louco que insistiu em saber se eu era o tal Escolhido. Mas não tinha ideia de onde estava, por isso não me veio à memória os escritos dos Antigos a respeito disso. Pouco sei sobre o que é dito sobre o Escolhido do Gohin.” Disse Melikae.

“-Bem, eis o que sei: após Atheran e Gwinvein serem destruídos por Nuh e Mitranil, ele a aprisionou na Mitral para não ser consumida pelo juízo do Uno. Se minha lembrança é fiel, o Escolhido deve vir para interromper o Ciclo das essências dos homens que escolheram aqui ficar. Mas talvez esteja errado. Essas histórias não são muito contadas pelas pessoas.” Respondeu Cravedin, fitando Melikae, enquanto acabava vorazmente a última porção de ensopado no fundo da tigela dada a ele pelo bardo.

“-Agora sei que minha demanda não terminou. Estou bem próximo de encontrar Mitranil. Por tudo que me aconteceu, não esperava estar vivo… e isso já me é lucro! Mas meus amigos se foram, e não tenho muito o que comemorar por conta disso. Queres mais cerveja? Está bem agradável a da taverna. Se importa de eu tocar um pouco? Meu coração assim deseja…” Disse Melikae, pegando sua castina.

“-De maneira alguma. Quero testemunhar com meus ouvidos as habilidades do grande Melikae.” Respondeu o vilca, enchendo sua caneca com o odre.

Então o bardo em meio ao barulho das conversas e risadas, dedilhou sua castina improvisando um lamento que ecoou docemente no interior da taverna. Os sons delicados do instrumento abençoado foram preenchendo os espaços ocupados pela desordem do muito falar de todos os que lá estavam. Subitamente silêncio se fez, e homens e mulheres do Gohin que lá estavam tornaram sua atenção para Melikae – o Bardo – que com sua doce voz entoou os seguintes versos registrados no Livro dos Dias:

“Se meus olhos vissem hoje… e meus dedos e lábios tocassem os seus rostos,

Minha essência em muito se alegraria, e diria a cada um deles…

O quão saudoso meu coração está, até a medula dos ossos…para recontar as demandas…

Que em meio às nossas andanças separaram nossos caminhos.

 

Minha amada Ranemann, teus ossos em solo úmido estão?

E a calada noite, que com açoite guardou minha lembrança…

Revelaria deveras o obtuso destino que em desatino Atelith ceifou?

 

Ah, que as lágrimas derramadas por mim,

Não sejam suficientes para secar entrementes, toda a tristeza

Que com franqueza lamentei por ti, Zitri de Ziporih!

 

E agora estou aqui, no Gohin… cantando sobre todos vocês…

Os que partiram…os que se foram, que pelo Uno a mim foram dados, e mui amados!

Para que nunca seus esforços sejam malfadados, e sim contados em canção de lamento…

Para sempre serem lembrados.”

“-És mesmo soberano em tua arte. Mas, venha. A Torre e os Três Reis nos esperam.” Disse Cravedin com o coração sereno.

Continua…


I-Dizem os Antigos assim a respeito do lugar para onde as essências  cobertas de cinzas pela feitiçaria da Grande Serpente e sua consorte foram habitar no Gohin.

II-A Estrada Demolida. Na língua geral do ocidente falada durante a Era do Declínio. O Acheroniano médio.

III- Criado no interior das Femiaren por Atheran e Gwinvein através das gotas da semente pervertida que foram expelidas do gigantesco membro da Grande Serpente.

Sobre o Autor

perdeu as contas de quantos mantras realizou para zerar aos onze anos Faxanadu. Suas habilidades crescentes já na infância o levaram a fazer uso da Master Sword todas as vezes em que houve necessidade (desde a Criação até a Era o Caos e da Prosperidade). Atualmente anda às voltas com os reinos de Boletaria, Lordan e Drangleic porém nunca esquecendo que deve estar de pé às seis para levar luz àqueles que necessitam. Gosta de caqui, sustos, games, comida-que-mata, poesia, pringles, fantasia-fantástica, pôr-do-sol... e Pepsi! Não necessariamente nessa ordem.