As Crônicas de Acheron | A astúcia de Atheran e Gwinvein e o surgimento de Mitranil

As Crônicas de Acheron é uma série de fantasia publicada toda quarta-feira no Mapingua Nerd.
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Quando Atheran e Gwinvein, com a feitiçaria de sua cópula, esconderam a Mitral dos olhos do Uno com intenção de ludibriar os Maiorais, houve confusão nos domínios de Bel. Sim, aos olhos do Uno, grande afronta foi a de Deuses degenerados apropriarem-se de suas prerrogativas criadoras. A esse respeito, os Maiorais elucubraram entre si sobre que castigo deveriam receber Atheran e Gwinvein.  “- Não é bom que o homem se faça Deus” disse o Uno a seus Filhos. –“Atheran e Gwinvein intentam ser iguais a nós, porém sua feitiçaria não pode criar seres benévolos nem existirá beleza em suas obras, afinal todo desígnio de tais seres são maus em sua essência” Disse o Uno a Gorath. “-Temos de impedir que a Grande Serpente estabeleça seu domínio perpétuo nos recônditos de Acheron, pois suas obras maléficas se alastrarão por toda a Terra dos Carvalhos, pervertendo nossa criação.” Retrucou Orath ao Uno.

Atheran, através da pervertida semente expelida de seu gigantesco membro, criou toda sorte de criaturas de essência malévola. Micostos, mericalhos, gobartos, matoas e beseras agora povoavam a Mitral, que foi retirada das profundezas das Femiaren e lançada no Gohin1, onde não há discernimento entre a Bondade e o Malfazejo. Assim Atheran intentava que suas obras fossem inertes quanto ao Juízo dos Maiorais. De forma tal, que os Deuses degenerados agora incutiram em seus servos toda sorte de desejo desenfreado, que outrora fosse maligno, de maneira que os mesmos estivessem absortos aos desígnios de bondade do Uno. Sim, a mutilação dos corpos dos micostos, gobartos, beseras, mericalhos e matoas muito agradava Atheran e Gwinvein. O sangue pútrido jorrante de seus servos lançados sobre o chão coberto de cinza do fragmento de mundo que os Deuses degenerados (Atheran e Gwinvein) criam alimentavam o seu prazer pervertido.

Assim, as fronteiras do Mundo Mosaico de Atheran se expandiram. No Gohin o desejo dos Deuses degenerados fez morada. E o desejo deles prosperou. Gwinvein guardava em seu pervertido ventre a semente de sua contínua cópula com seu consorte Atheran. O fruto do amor pervertido entre os irmãos Atheran e Gwinvein muito desagradou o Uno. O Uno, porém, seu Juízo não conseguiu imputar sobre os Deuses degenerados (bem como a Mitral e seus habitantes), pois o Mundo Mosaico de Atheran no Gohin estava oculto.

“- O que Atheran fez malfazejo foi aos olhos dos Maiorais Venham, ordenemos que meus filhos encontrem onde a Grande Serpente e sua consorte se escondem! Que através dos Míticos Alados chegue o Juízo de nosso Pai a Atheran e Gwinvein!” Disse Orath, em ira. Então Orath ordem deu a Sinorah, Mokau, Kiléu, Famila, Vilcmah, Beninona, Simarit, Semit, Diriri, Nuh, Siderur, Zitriu, Xituh, Ashiter, Fildenas, Riltrash, Gaduda e Ashimita encontrarem os portões do Gohin para imputar o Juízo do Uno sobre Atheran e Gwinvein. Porém não conseguiram os filhos de Orath adentrarem no Gohin, pois tarefa muito difícil era, posto que os Míticos Alados de boa essência eram.

“O que pedistes de nós é algo muito difícil! Não existe entrada para os de boa essência em tal lugar tão repleto de perversão e morte. Só pudemos ouvir gritos e gemidos de prazer ilícitos pelo derredor do Gohin. Lá não é nosso lugar. A maldade é tamanha que nossa essência certamente pereceria e Fyr se negaria a nos receber no Outro Mundo Inferior.” Disseram os Míticos Alados aos Maiorais. “- A esse respeito sagaz foi a Grande Serpente. Disse, Orath pensativo. “- O Gohin excede nossos domínios. Bondade e Malfazejo não entram ali. Observemos o que Fyr terá a dizer sobre esse negócio quando visita nos fizer. “ Retrucou o Uno. Assim ponderaram o Uno e seus Filhos a respeito do Mundo Mosaico de Atheran. E por conta da astúcia de Atheran e Gwinvein eles prosperaram no Mitral (agora protegido no Gohin).

A astúcia do Deus Serpente e de sua consorte fez assim os seus domínios prosperarem no Gohin. “- Não é essa a grandiosa Mitral que aprisionei no Gohin para que prosperasse assim a minha liberdade e de meus servos do Juízo terrível do Uno?” Disse se regozijando Atheran à sua consorte (Gwinvein). “Sim. E de nosso fruto existirá a perpetuação da liberdade de todo homem frente ao pesado fardo que é obedecer aos desígnios do Uno e os Maiorais”. Respondeu Gwinvein, acariciando seu grande ventre. Sim, no ventre da consorte do Deus Serpente subsistia a semente pervertida da contínua cópula dos Deuses degenerados da grande fortaleza de pedra. –“Mitranil ela se chamará, pois na Mitral foi concebida em meio a enormidade do membro do meu Senhor.” Disse sorrindo, Gwinvein.

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Assim foi concebida a filha de Atheran e Gwinvein. Mitranil crescia no ventre da consorte do Deus Serpente em meio à constante cópula e prazer ilícito dos irmãos Atheran e Gwinvein nos domínios da fortaleza de pedra (escondida no Gohin). O Mundo Mosaico de Atheran a todo momento se desconstruía e se reconstruía em pedaços desconexos de seus habitantes e das grandes pedras brancas que se avolumavam com as cinzas que caíam dos altos do Gohin. As árvores secas dos jardins da Mitral continuamente desapareciam por conta de seu rápido envelhecimento e seus fragmentos se misturavam as cinzas que se avolumavam por todo o Mundo Mosaico de Atheran. As pedras brancas por vezes se chocavam de maneira violenta entre si provocando destruição do solo (repleto de cinza). Lentamente os habitantes do Mundo Mosaico do Deus Serpente foram tragados (enquanto se mutilavam e copulavam entre si) pelas cinzas e pedaços de rochas que se fragmentavam de forma frenética pelo seu movimentar desordenado. Sim, a feitiçaria do Deus Serpente apenas gerou um arremedo do Poder da Criação que emana do Uno.

Ao ver isso, Atheran e Gwinvein ponderaram. “- Não é bom que a liberdade do Gohin seja privada aos que habitam na Terra dos Carvalhos. Venha, minha amada, lancemos fragmentos do nosso Mundo Mosaico sobre Acheron e libertemos o homem do pesado desígnio de servir o Uno” Disse Atheran, rindo. “-Meu amado, minhas entranhas estão às portas de expulsar nossa infante Mitranil. Deixai ela ao Gohin surgir. E só depois disso espalhemos nossos desejos sobre a mente dos homens.” Retrucou a parturiente Gwinvein.  “-Teu desejo e o meu desejo.” Retrucou o Deus Serpente.

Assim, Atheran e Gwinvein esperaram a chegada de Mitranil. E tudo o que fizeram até a chegada da arcana Mitranil dos Nuth prosperou.

Continua…


1 – A esse respeito os antigos são conflitantes. É dito pelos Vilca que o Gohin é um lugar malévolo onde toda sorte de desígnio maldoso coexiste com a negação do Uno pelas essências atormentadas que lá habitavam e que negaram desde a sua gênese. Já o povo que habitou as Terras Proibidas acreditava que o Gohin é lugar onde guardada foi toda a esperança da humanidade quanto ao pesado Juízo do Uno.

Sobre o Autor

perdeu as contas de quantos mantras realizou para zerar aos onze anos Faxanadu. Suas habilidades crescentes já na infância o levaram a fazer uso da Master Sword todas as vezes em que houve necessidade (desde a Criação até a Era o Caos e da Prosperidade). Atualmente anda às voltas com os reinos de Boletaria, Lordan e Drangleic porém nunca esquecendo que deve estar de pé às seis para levar luz àqueles que necessitam. Gosta de caqui, sustos, games, comida-que-mata, poesia, pringles, fantasia-fantástica, pôr-do-sol... e Pepsi! Não necessariamente nessa ordem.