Um emaranhado de clichês e lindos cenários chamado Blade Runner 2049

Publicado em 10 de outubro de 2017 | Por Bruno Graça | Cinema

Esta resenha contém SPOILERS


“É o melhor filme do ano” e “É simplesmente perfeito” foram algumas das críticas que eu encontrei sobre o novo Blade Runner, que inclusive figura com altíssimas notas no (nada confiável) Rotten Tomatoes. Porém, saindo da sessão, tudo que consegui pensar foi: “Jura? Essa droga é a continuação do Blade Runner dirigido pelo Ridley Scott?”.

Já vi isso antes…

Aparentemente devo ter assistindo um filme diferente, porque o longa (e bem longa mesmo), que vi só tinha uma história bem genérica, como já vista em vários outros por aí; que inclusive se “apropria” de algumas ideias de outros filmes bem famosos (como a do filme Her, com aquela personagem Joi).

Tipo comum

Outra coisa que puxa o filme para baixo é a “poça de profundidade” tanto do desenvolvimento pessoal, quanto de personalidade dos personagens principais:

O herói principal (não devo vou comentar a atuação do Ryan-La-La-Longe-Gosling) é praticamente um João-Bobo, apanha de todo mundo, leva tiro de pistola, de laser, de Golden Gun, mas está sempre de pé e inteiro, nunca morrendo, pronto para realizar o que ele quer, afinal, ele é o protegido do roteirista, existindo deus ex machina para o personagem não morrer (afinal, a história depende só dele). Lá para o meio do filme já dá para imaginar o final dele.    

O vilão, no caso, a vilã, foi criada para ser A MAIS VIL DE TODAS e foi criada EXCLUSIVAMENTE para ser odiada por todos, ao ponto de que ninguém se importe, que no final ela morra. Manda lacaios para bater no mocinho, mas pessoalmente é mais divertido e quanto mais sádico são suas ações melhor para ela, chegando até dar uma risada no final.  É praticamente uma vilã de novela mexicana; a Soraya Luv Montenegro.

Perdido na edição

Porém nada disso importa, afinal o filme tem mais cenários bonitos do que a tela de descanso do Windows. O que importa de verdade é que o Jared Leto apareceu no máximo 30 minutos em cena no filme todo, que tem quase três horas; coisa que já vimos acontecer no Esquadrão Suicida. Alguém na edição não está tão feliz com ele… (é você, Taylor Swift? Agora você trabalha com de edição de vídeo?)  

Falando em edição, o filme poderia ser tranquilamente enxuto se cortassem vários diálogos em excesso e tirarem o grande número de passagens (já falei como elas são bonitas?); tudo para contar uma história que poderia ser resumida tranquilamente em um vídeo de 10 minutos (ou até menos). Prevejo vídeos no youtube fazendo isso futuramente. 

Nada perfeito

O filme definitivamente não é tão esplêndido como Blade Runner original, por dizer ainda, que este filme seria apenas um filme qualquer de sci-fi, senão tivesse a “Blade Runner” nele. Esta continuação definitivamente não tão magnânima quanto querem passar a imagem de “perfeito” ou de “o filme do ano”; ela não é a continuação que o Blade Runner original merecia (se é que ele precisava de alguma), mas ela é a continuação que as pessoas estavam querendo, sendo o resultado qual fosse. 

Sendo este exato motivo, que temos hoje nos cinemas tantas continuações e remakes de filmes famosos antigos (ou não), e poucas coisas originais. (Já parou para pensar por que temos tantos Exterminador do Futuro, Alien, Transformers e até um remake atual de It, mas não investiram tanto no Torre Negra ou em outro livro do Stephen King ou de outro autor? Ou quem sabe em um roteiro próprio?)

Nem tudo perdido

Porém nem tudo no filme é ruim… Tem personagens interessantes, como a Joi, que é uma espécie de evolução da Samantha do “Her”. Sua história, personalidade e evolução durante todo filme prendem até o desfecho dela. “4 symbols make a man: A, T, G & C. I am only 2: 1 and 0” (frase dela).

Os curtas lançados na internet também são bem interessantes (principalmente o anime) e contam com uma ótima direção; todos remontando sobre o que aconteceu antes do filme.

Piloto de fuga

Então senhores críticos e formadores de opiniões, o filme não é perfeito. Possui vários clichês, partes chatas e personagens (alguns) dignos de novelas do SBT, sendo assim, ele é, no máximo, um “ok”. Filme do ano, (na minha opinião e até agora, mês de outubro), ainda é do frenético e divertido “Baby Driver”, o Sonic dos filmes.

“Tchau, Blade Runner 2049…”

 


Sobre o Autor

é um jornalista, assessor e pau pra toda obra. Adora séries de investigações criminais e o canal Investigação Discovery. Curte: mangás, jogos em geral, Doctor Who, RPG, dinheiro, contar mentiras absurdas (?) e testar a paciência das pessoas. Revés: bipolar.

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