Seção grandes roteiristas: Jonathan Nolan, de Amnésia e Cavaleiro das Trevas

Publicado em 5 de abril de 2016 | Por Alberto Carvalho | Cinema

Quando vemos um bom filme, elogiamos o trabalho do diretor, a excelente atuação dos protagonistas, a trilha sonora marcante, mas dificilmente elogiamos aquele que cria ou adapta a história do filme em si. Por isso, decidi fazer uma série de 5 posts onde apresentarei alguns dos maiores (na minha opinião) roteiristas que conheço, bem como algumas de suas diversas contribuições para a sétima arte.


Comecemos então por um dos maiores roteiristas da atualidade, Jonathan Nolan.

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Embora os holofotes estejam voltados, na maioria das vezes, para seu irmão Christopher, Jonathan tem papel fundamental em vários dos trabalhos dos dois. Seja na criação de uma história original, como em Amnésia, ou na adaptação das histórias em quadrinho do homem-morcego, como em O cavaleiro das trevas.

Nasceu em Londres, mas cresceu em Chicago onde estudou até o high school (equivalente ao nosso ensino médio). Em 1999 tirou seu major em inglês na Universidade de Georgetown. Logo após se formar, Jonathan escreveu um conto chamado “Memento Mori”, que deu origem ao filme Amnésia (2000).

Leonard é um homem que, a partir de um ataque que causou a morte de sua esposa e o deixou à beira da morte, não consegue armazenar na memória fatos recentes. Ele está determinado a descobrir quem é o assassino de sua mulher e quer vingança e para isso começa a tatuar em seu corpo as informações necessárias para a concluir a investigação.

O filme é simplesmente brilhante, a começar pelo fato de ser contado de trás para frente. Vemos, além da genialidade de Christopher na direção, a incrível habilidade de Jonathan de amarrar a trama de maneira sólida e consistente. 

O longa fez um sucesso tremendo dentro do circuito de festivais, o que rapidamente fez com que chegasse as salas de cinema. O filme foi um sucesso de bilheteria, que alavancou a carreira dos irmãos Nolan.

Em 2006, ele se juntou ao irmão novamente para adaptar o livro The Prestigeescrito em 1995 por Christopher Priest. O filme mostra o duelo de Robert Angier e Alfred Borden, dois mágicos que competem entre si desde o início de suas carreiras. O longa homônimo ao livro, que no Brasil recebeu o título de O grande truque, e teve duas indicações ao Oscar.

Logo em seguida, em 2008, Jonathan esteve a cargo de uma das maiores obras nerds de todos os tempos: O cavaleiro das trevas

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A adaptação dos quadrinhos com o melhor coringa já mostrado em tela até agora foi escrita por esse indivíduo. Após muita pesquisa Jonathan Nolan, sugeriu que as duas primeiras aparições do coringa servissem como sua influência. Jerry Robinson, um dos co-criadores do Coringa, foi consultado para a abordagem do vilão. Jonathan decidiu evitar contar a história da origem do personagem, focando na sua ascensão ao poder. Ele explicou dizendo que: “Para mim, o Coringa é absoluto. Não há tons de cinza nele. Ele simplesmente aparece, como nos quadrinhos. Nós queríamos lidar com a ascensão do Coringa, não a origem do Coringa”. Em entrevista, Jonathan assumiu que utilizou A piada mortal como inspiração para cena de diálogo entre Batman e Coringa

Só é preciso um dia ruim para reduzir o mais são dos homens a um lunático.

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Após finalizar a trilogia com O cavaleiro das trevas ressurge, Jonathan Nolan passou ser responsável pelo roteiro do que viria a ser um dos melhores filmes de ficção cientifica já feitos: Interstellar.

O que muita gente não sabe, é que Jonathan já estava trabalhando no roteiro enquanto Steven Spielberg era o diretor. Depois de algum tempo, Spielberg abandonou o projeto, foi só então que, com a indicação de Jonathan, Christopher Nolan assumiu a direção do filme.

Para escrever o roteiro, Jonathan Nolan teve que ir a Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia) e passar seis meses estudando física, mais precisamente relatividade, para entender sobre aquilo que ele estava preparando.

O final do filme é diferente do que ele escreveu. Segundo Jonathan, o final de Cooper seria mais trágico. “A ponte Einstein-Rosen entraria em colapso quando Cooper tenta enviar seus dados de volta para a Terra. Ele não resistiria ao contato com o buraco de minhoca após abandonar sua nave.” O que não ficaria claro, é se os dados enviados a sua filha, Murphy, chegariam a Terra e salvariam a humanidade da extinção.

Confere essa entrevista que ele concedeu ao lado de Kip Thorne, físico teórico e um dos produtores do filme:

E se você é fã de Asimov, saiba que Jonathan Nolan se juntou a HBO para escrever e produzir uma adaptação da série de livros Fundação. Só podemos esperar outro grande trabalho desse magnifico roteirista. 


Sobre o Autor

Louco por filmes e apaixonado por rabanadas

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