Resenha – Odallus: The Dark Call – Um prazeroso retorno às origens

Publicado em 1 de agosto de 2015 | Por Antonio II | Games

Olá, pequeno leprechal… Já jogou Odallus: the Dark Call? Não? Te digo que estais perdendo um grande game, ó.

Claro, não desses que vai mudar sua vida e (muito menos da indústria gamer…), mas… sabe aqueles games que quando você zera… vem aquela sensação transitória de vazio… do tipo… “e agora?” Pois é… foi assim que me senti ontem ao terminar o game da produtora indie Joymasher (que debutou na Steam com o punidor Oniken). Comprei  no dia do seu lançamento -15 de julho do ano de 2015 do Nosso Senhor –  por uma ninharia (acho que não chega a 30 dilmas). E comecei minha aventura junto a Haggis (uma espécie de Conan sentimental) em busca de seu filho desaparecido em meio a um mundo fantástico com ambientação gótica amarrado em uma estética retrô de 8 bits.

Para o gamer de longa estrada – como este que vos fala – jogar “Odallus…” foi um prazeroso retorno às raízes. O game é um grande exemplo de como se deve beber na fonte dos melhores representantes que o gênero metroidvania 2D possuiu em seus dias de glória. “Odallus: The Dark Call” se faz valer de mecânicas consagradas nos anos 80 e cristalizadas nos anos 90 em games como os da franquia Metroid, Castlevania e Mega Man para entregar uma experiência satisfatória tal qual os que o inspiraram. O que torna o game da Joymasher acima da média de seus pares é a perfeita noção de  seus desenvolvedores (o game foi desenvolvido pelo casal… Danilo Dias e Thais Weiller) em equilibrar exploração vs recompensa vs dificuldade vs progressão de itens. Em Odallus… nada é acessório.

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As fases podem ser revisitadas, e possuem um padrão de progressão espacial tanto horizontal quanto vertical… paredes falsas escondem caminhos alternativos e itens. As relíquias no game servem para conferir habilidades a Haggis de modo que ele possa mover blocos outrora pesados demais… ou mesmo atingir locais antes impossíveis. Essa mecânica de gameplay é gerenciada em um menu que apresenta o mapa do game e outras informações para o jogador… como os segredos que ainda restam ser descobertos e a permanência do chefe da fase.

São nove fases de idas e vindas com um padrão e crescente de dificuldade e sensação saborosa de recompensa, afinal Odallus não possui dificuldade impiedosa. Apesar do game não ser fácil – sim, você sofrerá para progredir nele – nada ali foi colocado de forma aleatória. Os inimigos, as plataformas, as armadilhas… os padrões de ataque dos inimigos (em Odallus não existe inteligência artificial… tal qual qualquer game da sua extirpe)… foram idealizados para que o gamer supere os desafios de maneira consciente. Aleatoriedade não é uma palavra existente no game. Level Design inteligente é a expressão da vez em Odallus: the Dark Call. Tal característica infere uma sensação crescente de poder sobre os desafios contidos no game conforme você progride em suas habilidades e itens a cada fase revisitada. Se você não for interessado em exploração, Odallus termina em cerca de quatro, cinco horas de jogatinas. Mas claro, o céu é o limite para o Padawan fuçador… e esse tempo pode se estender para o dobro ou até mais. Tudo depende do perfil do gamer. Eu terminei Odallus-The Dark Call com nove horas de gameplay

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Todas essas informações devem já fazer você – aprendiz de cavaleiro da ordem do Santo Graal – lembrar da série Castlevania. E sim, você não está errado em sugerir isso na sua mente criativa. Quando você joga Odallus, automaticamente faz conexões mentais com a amada franquia da Konami. Porque é tudo muito descarado, sabe? São tantas referências… tantos easter eggs… que se você for um newbe do mundo dos games (e da Arte “in generals”) vai tomar um caminho perigoso e raso de julgamento onde a palavrinha “plágio” representará o seu veredito final a respeito do trabalho de Dias Weiller à frente da Joymasher. Não, jovem gafanhoto de asas frágeis e mente curta, Odallus passa longe dessa categoria vil de games. Odallus é um belo pastiche…desses recheados de re-inscrições dos games que o motivaram.

A temática e direção de arte ultra gótica, as músicas sampleadas (que já na tela de seleção de save reportam suas fontes primárias), as mecânicas de gameplay (e aqui vale bem citar que Odallus vai além de seus pares retro em alguns departamentos, pois existe mais naturalidade e fluidez de movimento e resposta de comandos no game da Joymasher que nos baluartes do gênero que o influenciaram) o Level Design bem construído, os checkpoints… todos os requisitos básicos de qualquer game do gênero reportam às suas origens inspiracionais em Odallus.

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A direção de arte em Odallus é um show à parte. Vilas em chama, castelos em ruínas, desfiladeiros, quedas d’água sinuosas… fazem parte do universo pixelado do game bem  como cavaleiros, morcegos, zumbis, esqueletos imortais e diversas criaturas monstruosas. E ainda existem os chefes das fases e seus encontros memoráveis. Todos os chefes em Odallus são incríveis e se comportam através de padrões de ataque o que os torna cada vez mais amigáveis de se enfrentar conforme você vai aprendendo seus padrões de ação e evolui suas armas e quantidade itens secundários. Apenas o último chefe que… bem, paro por aqui. Aquilo sim é desleal. Mas joguem para entender o que estou dizendo.

E ainda existem os easter eggs! Converse com o vendor da segunda fase… insista em extrair informações dele (vale destacar que Odallus possui um enredo até complexo para o gênero) e veja o que ele vai te dizer. Castlevania II –Simon´s Quest ruge ali! Até a série mitológica Twin Peaks (de David Lynch) se faz presente no mundo de Odallus criado pela mente cult de Dias e Weiller. Tais “agrados” são muito bem-vindos para o gamer de bagagem e demonstram o amor e cuidado que a Joymasher tem com suas produções e seu público.

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Sobre defeitos: o que percebi foram bugs ocasionais de câmera e um único congelamento que me fez ter que encerrar o game e refazer todo meu progresso da fase. Mas são questões puramente técnicas que devem ser resolvidas pela Joymasher com patches de atualização.

E é isso, jovens insetos mutantes do mundo diminuto! Joguem Odallus: The Dark Call se vocês tiverem a verve retro na sua alma gamer. Vale muito a pena! Eu rodei liso o game no meu Ultrabook i3 podreira da LG. São necessários apenas cerca de quatrocentos e cinquenta megas de espaço no HD. E claro, recomendo que usem joystiqs. Afinal, eu odeio jogar qualquer coisa em teclado e mouse.

Inté… inté mais.

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Game: Odallus: The Dark Call

Plataforma: PC – Steam

Lançamento: 15 de julho de 2015

Studio: Joymasher

Gênero: Action – 2D.


Sobre o Autor

perdeu as contas de quantos mantras realizou para zerar aos onze anos Faxanadu. Suas habilidades crescentes já na infância o levaram a fazer uso da Master Sword todas as vezes em que houve necessidade (desde a Criação até a Era o Caos e da Prosperidade). Atualmente anda às voltas com os reinos de Boletaria, Lordan e Drangleic porém nunca esquecendo que deve estar de pé às seis para levar luz àqueles que necessitam. Gosta de caqui, sustos, games, comida-que-mata, poesia, pringles, fantasia-fantástica, pôr-do-sol... e Pepsi! Não necessariamente nessa ordem.

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