Pixar: Ensinando a crescer e a sonhar – Parte 4: Up!

Publicado em 23 de abril de 2016 | Por Natan Rocha | Cinema

Antes de começar a ler este artigo, pare e se pergunte: qual é a maior aventura que você já viveu? Uma viagem, um passeio, alguma vez que você se perdeu…?

Up – Altas Aventuras (2009, direção de Peter Docter) nos leva a esse questionamento através do septuagenário Carl Fredricksen (Ed Asner no original, o saudoso Chico Anysio na versão dublada) que vive uma vida de aposentado ranzinza e monótona.

Mas, claro, quem já assistiu Up sabe que o parágrafo anterior o resume de forma simplória; Pois, antes de ser um filme sobre uma grande aventura, Up é um filme sobre perda e como podemos aprender a seguir em frente quando parece que não há mais para onde se ir.

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Quando Carl conhece Ellie (sua futura esposa), logo criam um vínculo que iria refletir no desejo comum de conhecer o Paraíso das Cachoeiras – o local exótico onde o explorador Charles Muntz, de quem os dois eram fãs, partiu em busca de aves raras quando foi ridicularizado pela comunidade científica ao levar o esqueleto de uma ave gigante. Voltando a Carl e Ellie, os dois crescem juntos e, por compartilharem da mesma paixão, inevitavelmente acabam casando.

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Esta sequência, aliás conduzida brilhantemente pela trilha sonora de Michael Giacchinno com a música “married life” (vida de casados), é uma das minhas favoritas de todos os filmes da Pixar, pois mostra de forma simples, econômica e sem nenhuma palavra, como uma eventualidade da vida (o fato de Ellie não poder ter filhos, momento tocante – tiro meu chapéu pra Pixar mais uma vez!) desperta um velho sonho de um casal feliz que, embora empenhe muitos esforços de juntar dinheiro para realiza-lo, acaba tendo que postergar a ideia algumas vezes devido a obrigações financeiras diárias.

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Os anos passam, Carl e Ellie vivem sua vida normal até que um dia, olhando uma foto de Ellie sobre a lareira, Carl lembra-se da promessa que fez há muitos anos: “Jura que vai levar a gente! Jura de coração! Jura!”. Finalmente, Carl compra duas passagens para irem juntos ao Paraíso das Cachoreiras, porém Ellie adoece (em razão da idade) e um pouco depois parte deixando Carl sem conseguir cumprir a sua promessa.

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É interessante notar que mesmo sendo uma animação, Up consegue tratar de temas maduros e adultos e outras coisas que crianças não sabem lidar ou não possuem referências suficientes para absorver.. Mais além, a perda e a mudança que ocorrem na vida de Carl reflete de forma bastante concisa o que muitos de nós tememos mas que é inevitável: a perda de alguém que amamos.

Para mim, a grande sacada de Up é quando Carl percebe que “sua grande aventura” ainda não terminou e que, embora Ellie não esteja mais presente, a grande aventura dela já foi vivida ao seu lado, quando ele encontra sua assinatura no livro de aventuras dela. Através de Russel (o explorador mirim tagarela), Carl acaba rejuvenescendo ao se dar mais uma chance de ser feliz e de viver atrás de outras aventuras.

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Embora a vida nem sempre tome o rumo que queremos ou do jeito que esperamos, cada dia vivido pode ser uma grande aventura a ser descoberta, especialmente quando podemos compartilha-la com aqueles amamos.

Então, qual é a maior aventura que você já viveu?

Sobre o Autor

é estudante de publicidade, da vida, do universo e tudo o mais. Gosta de manhãs chuvosas e de noites serenas. Só ainda não entendeu qual é a das quinta-feiras. Tem um monte de camisas nerds e de bandas descoladas mas ainda não sabe como se livrar delas.

Comentários

  • Fernanda Brandão

    Esse é o filme da Pixar que mais me faz chorar, tem muito a ver com algumas coisas que eu vivi. Lendo o teu texto já me emocionei. É uma obra-prima.