Memórias de um Old Gamer | Museu do Videogame e a vidinha gamer

Publicado em 6 de junho de 2016 | Por Antonio II | Colunas, Eventos, Games, Manaus, Memórias de um Old Gamer

Olá leprechais,

E então, tudo bom com vocês? Espero que sim, pois comigo tudo está ótimo! Se vocês estavam saudosos por conta da ausência da Memórias de um Old Gamer behold! Resolvi voltar com ela hoje… pra você… aprendiz de herói superador dos sete portais em busca do amanhã melhor que acessa o Mapingua Nerd. O motivo? Ora, o Museu do Video Game chegou em Manaus! Na sexta última – três de Junho, às 22 horas – estive eu, o Thiago “Diabo”, a Fernanda “Espírita Santa”, o Erlan (vulgo “Erlon”) e “Amerson” no “pre release” no Shopping Ponta Negra. Agradecemos a gentileza da direção do shopping pelo convite ao Mapingua Nerd ( e também pela bonita t-shirt exclusiva do evento que ganhamos)!

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Já fazia tempos que era meu desejo conhecer esse museu, que desde 2011 tem enlouquecido mais de cem mil nerds gamers pelo Brasil.

Com uma coleção de mais de 150 consoles (eu parei de contar em 153), o Museu do Vídeo Game conta com um acervo que faz um passeio histórico por todas as gerações da história dos jogos eletrônicos. Desde o Magnavox Odissey – o primeiro vídeo game da história – até a atual geração de consoles de mesa, está tudo lá. Exposto em vitrines com textos sinópticos explicativos sobre os consoles e o panorama histórico o qual foram lançados. Visitar o Museu do Vídeo Game me fez recordar do meu passado gamer e minhas peripécias que se relacionam a esse universo tão amado por mim. E também me fez ser confrontado com minha ignorância frente a tantos consoles obscuros que mesmo eu, com 6 pontos de stats em conhecimento sobre o tema, simplesmente desconhecia até então.

 

Rolê pelo Museu do Videogame Itinerante.

Um vídeo publicado por Mapingua Nerd (@mapinguanerd) em

Tomemos por exemplo o Cassio Loopy (lançado em 1995, apenas no Japão). Nunca havia ouvido falar desse console. Voltado exclusivamente para o público feminino, o console da Cassio foi lançado como concorrente na quinta geração (para concorrer com o primeiro PlayStation, Nintendo 64, Saturn, 3DO e Jaguar) com uma arquitetura de 32 bits (segundo o que andei lendo por aí … era semelhante ao Saturn) visando a mulherada nipônica gamer. Coisa interessante: o Loopy tem uma impressora térmica embutida utilizada para imprimir “screenshots” dos games em pause. Os games que foram lançados para o console (onze, no total) eram todos voltados para o universo feminino. Desde simuladores de vida no estilo The Sims até games de moda. O Cassio Loopy orgulhosamente faz parte da ala exótica do Museu do Vídeo Game.

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E o Nuon da VM Labs!? Hibrido de CD/DVD player com processador gráfico para rodar games em 3D…o aparelho “Frankenstein” foi fabricado pela Samsung, Motorola e Toshiba lá pelos idos dos anos dois mil e teve apenas oito games produzidos. A premissa era bizarra: atingir o público high end consumidor de filmes em DVD na tentativa de construir um mercado onde  também os donos do eletroeletrônico consumiriam seus games. E claro que foi fracasso… pois com quem o Nuon foi logo concorrer? Com o King of Video Games…. o PlayStation 2 ( “somente” o console mais vendido da história da indústria de games… que abarcava o público que consumia games e também filmes em DVD .). Nem preciso dizer que o Nuon foi fracasso total (a VM labs foi à bancarrota apenas um ano após o lançamento do Nuon), pois sem apoio de studios third e o preço elevado – 400 U$ – em seu lançamento – e o line up ridículo – de apenas oito games…ruins!  – não houve chance do Nuon sequer respirar no “round one” contra o console da Sony em seus primeiros anos. Morto e enterrado. Mas existe um fóssil vivo do Nuon fabricado pela Samsung no Museu do Vídeo Game!

Ainda posso me lembrar de cabeça do Playdia. Também lançado apenas no Japão, pelos idos de 1994, o console da Bandai foi um dos pioneiros a adotar o CD (o Turbografix 16 foi o primeiro…) como mídia de games para produzir games ao estilo “filmes interativos” (este que estava em alta na aurora da utilização da mídia pela indústria aliada a processadores gráficos mais potentes). A própria Bandai produziu cerca de trinta games para o console (que teve vida curta) a partir de suas propriedades intelectuais (como Dragon Ball e Sailor Moon). Curiosidade: além do drive de CD, o Playdia possuía sistema sem fio para seus controles (via sensores infravermelho).

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Mas gente, existem ainda consoles que me eram desconhecidos até então. Entretanto, esses me chamaram mais a atenção. Os outros foram devidamente registrados em fotos para posterior pesquisa…

Ainda existem na exposição, claro… consoles que nunca possui, mas que -ao longo da minha vidinha gamer – andei topando por aí… como o caso do 3DO. Que hoje é uma plataforma cult para os aficionados em consoles retro. Esse excelente console foi lançado em 1994 e foi um produto projetado por um conglomerado de empresas que tiveram a ideia visionária de adaptar o modelo de negócios dos aparelhos de fitas VHS/cassetes e CDs na indústria gamer. De tal forma, que a propriedade tecnológica do console era fabricada por empresas interessadas em comercializar o console… existiam 3DOs fabricados pela Panasonic, LG, Sanyo… o 3DO foi uma aposta ousada com tecnologia de ponta e um ótimo lineup de games (como o primeiro The Need for Speed, o mitológico Road Rash, o divertido Crash’n’Burn, a melhor conversão para consoles de Super Street Fighter II Turbo, Samurai Shodown, o excelente Out of this World…e o maravilhoso game de plataforma Gex…só para citar alguns…). Com a estratégia de utilizar o CD como mídia, line up diversificado (e o apoio de thirds como a Electronic Arts…) o console competia na quinta geração com seus adversários PlayStation, Nintendo 64, Saturn e Atari Jaguar.

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O 3DO ganhou força apesar do seu alto preço (699U$ no lançamento americano) por ser o primeiro console da quinta geração que realmente prestava (o Atari Jaguar era uma piada mal contada… e ainda não haviam sidos lançados PlayStation, Saturn e Nintendo 64…afinal tanto Nintendo e estavam ainda com seus SNES e Mega Drives positivos e operantes no mercado… e a Sony havia acabado de levar um pé na bunda da Big N quanto a parceria de ambas produzirem um drive de CD ROM para o SNES… história essa que todo mundo sabe que terminou na criação do PlayStation). Assim, o console ganhou rapidamente adeptos high end.

Eu joguei muito 3DO nas minhas férias de 1995. Um vizinho mauricinho (o Márcio “pezão”) possuía um com Road Rash, Samurai Shodown, FIFA International Soccer, Out of this World, Crash’n ‘Burn….e Super Street Fighter II Turbo! E inusitadamente emprestei meu SNES com The Legend of Zelda: A Link to the Past em troca do 3DO com o trato de que a troca seria desfeita quando ele zerasse o game. Foi tempo suficiente para eu me esbaldar nos games que ele possuía. Destaco aqui o nível maravilhoso da conversão de Super Street Fighter II – Turbo, Out of this World e Samurai Shodown. Todas de excelente nível. Sem falar na versão de Road Rash (bem realista para a época!) e o divertido mascote do 3DO – o lagarto Gex –  produzido pela Crystal Dynamics. A bola preta do 3DO: loadings de fazer cochilar qualquer um.

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Infelizmente, com a chegada dos consoles da Sega, Nintendo (e posteriormente Sony), o 3DO se viu frente à dura concorrência de consoles mais modernos com excelentes games e preço mais acessível. Isso fez com que as vendas do console da 3DO Company. fossem ladeira abaixo. E sem esperança de retorno…

Não poderia deixar de falar um pouco também a respeito do TurboGrafix 16. Esse console – infelizmente – tive apenas uma única chance para jogá-lo, o qual aproveitei sem dimensionar o que isso representaria para mim posteriormente. Numa época em que a minha vida gamer de nove anos de idade girava em torno de jogar NES e Master System… um dia visitei a casa de um conhecido de um amigo (o Capitulino) no Jardim Primavera. Fomos ambos – eu e Capitulino- a pé do Conjunto Petros até o Parque 10 – via Colônia Japonesa. Não lembro o que diabos eu fui fazer com o Capitulino na casa do japonesinho (do qual não me recordo o nome…e hoje em conversa com meu amigo Capitulino… nem ele lembrava também do nome do dito…), mas o fato é que o menino oriental era dono de um TurboGrafix 16. Que explodiu minha mente. E fez meus olhos sangrarem.

O console da NEC e da HUDSON era de 8 bits (tal qual seus concorrentes da época), porém seu processador gráfico possuía 16 bits o que produzia maior quantidade de sprites e cores. O resultado? Gráficos à frente de seu tempo. O ilustre anônimo morador do Jardim Primavera tinha a versão do icônico “jogo de navinha” R-Type! Imaginem vocês, um menino dos anos oitenta no alvorecer dos seus nove anos – habituado a jogar a versão para Master System do game da Irem – se deparar com a versão mitológica do TurboGrafix 16! Loucura total! O console da NEC usava uma mídia proprietária – o HuCard – que lembra esses cartões de visita que a gente imprime em gráficas – o que também me chamou a atenção… já que – em minha inocência – só existiam cartuchos no mundo gamer como mídia. Apesar do preço competitivo (199 U$), o console não teve boa aceitação no mercado americano. Entretanto na terra do sol nascente, o console da NEC e da HUDSON  (chamado de PC Engine por aquelas bandas) fez muito sucesso! Foram lançados cerca de seiscentos games para o console por lá. Entre eles o antológico Boomberman, o pai dos beatm’up Double Dragon II: The Revenge e o mítico Akumajō Dracula X: Chi no Rondo (vugo Castlevania Dracula X: Rondo of Blood… para rodar no add on CD drive do console lançado posteriormente…em 1988).

O grande problema do TurboGrafix 16 era a política de contratos de exclusividade que a Nintendo praticava na época com os studios third. Por conta disso, HUDSON e NEC eram obrigadas a produzir os próprios games, o que se por um lado obrigou as empresas a produzirem uma grande quantidade de games exclusivos, prejudicou ao mesmo tempo a entrada do console nos EUA, já que tanto NEC quanto HUDSON eram empresas essencialmente nipônicas e não possuidoras dos parangolês para produzirem games com tempero ocidental.

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Vocês devem perceber o quanto o TurboGrafix 16 marcou minha infância, pois apesar do breve e único encontro que tive com esse console – e não lembrar sequer do nome do dono…e nem mesmo o meu amigo lembra o nome do guri – uma coisa lembramos: do TurboGrafix 16! E de R-Type! E olha que legal… é possível jogar TurboGrafix 16 no Museu do Vídeo Game…e o game para teste …é R-Type! Os gráficos produzidos pelo console da NEC e da HUDSON só seriam vistos novamente por mim já na era dos 16 Bits…com o SNES e o Mega Drive. Só pra constar nos registros por aí… se você – dono do TurboGrafix 16- desse relato tão singular da minha vidinha gamer…estiver lendo esse post… fica aqui o meu muito obrigado. De coração.  Be pround and prosper!

E isso aqui só vai acabar por conta do tamanho do post! Pois ainda existem histórias a respeito do Neo Geo, Neo Geo CD, Saturn, Sega CD, Sega 32X… Game Gear… que ficaram por enquanto ainda no obscurantismo… mas que no momento apropriado virão à tona nessa coluna.

E, claro… vão lá…seus projetos de gafanhotos brigadores… visitar o Museu do Video Game no Shopping Ponta Negra. Está na cidade até o dia 26 de Junho. É das dez da manhã até as dez da noite. Com certeza – e um pouco de sorte – vocês vão me encontrar por lá, ou jogando… ou olhando as vitrines … ou vendo a galera se requebrar no Just Dance.

Câmbio desligo, leprechais.

Sobre o Autor

perdeu as contas de quantos mantras realizou para zerar aos onze anos Faxanadu. Suas habilidades crescentes já na infância o levaram a fazer uso da Master Sword todas as vezes em que houve necessidade (desde a Criação até a Era o Caos e da Prosperidade). Atualmente anda às voltas com os reinos de Boletaria, Lordan e Drangleic porém nunca esquecendo que deve estar de pé às seis para levar luz àqueles que necessitam. Gosta de caqui, sustos, games, comida-que-mata, poesia, pringles, fantasia-fantástica, pôr-do-sol... e Pepsi! Não necessariamente nessa ordem.

Comentários

  • Fernanda Brandão

    olha eu na foto. 😛