Manolo Rey, o Robin brasileiro, conta histórias curiosas da profissão

Publicado em 19 de setembro de 2016 | Por Bruno Graça | Entretenimento, Entrevistas, Manaus

Esta é segunda parte das entrevistas com os convidados do domingo, 18, do Anime Jungle, se você ainda não viu a primeira parte com o Caracol Raivoso, corre lá. Após uma certa espera e muita expectativa foi liberada nossa passagem para entrevistar o Robin, o Will Smith, o Lando de Yu Yu Hakusho, o dublador Manolo Rey.

Um vídeo publicado por Mapingua Nerd (@mapinguanerd) em

Sobre o início

Manolo contou que começou na dublagem entre 1987 e 1988, mas que desde criança queria ser ator, por isso ficava imitando os atores da televisão, mesmo sem saber que aquilo era dublagem. “Quando eu descobri o que era dublagem, isso me tocou um pouquinho, ou seja, fazia dublagem sem saber”, contou. “Quando eu tirei meu registro de ator, fui tentar emprego de dublador em alguns estúdios como TV Cine e Bela Arte, mas acabei ficando na Herbert Richers e comecei daí”, completou.

Problemas com a voz

O dublador revelou que antigamente se incomodava com a voz dele parecer suave e chegou até fazer coisas estranhas para tentar engrossar a voz. “Teve uma fase que eu via que todo mundo que tinha vozeirão, fumava. Eu fumava, mas não por vicio, então cheguei a fumar três maços por dia durante um mês. Resultado disso: quase tive uma pneumonia, minha voz continua a mesma voz suave e leve, então desisti, então fui trabalhar com ela”, conta. “Muita gente não acredita a idade que eu tenho, 49 anos, no telefone falam que é um garoto, às vezes falam até que é mulher”, completa.

Robin

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O Robin chegou na vida do Manolo por conta do ator Chris O’Donnell, que fez uma sequência de filmes do Batman, e consequentemente Manolo dublou também por ser dublador do Chris (até um certo período). “Veio os filmes primeiros depois foram me chamando para fazer desenhos automaticamente”, contou.

Jovens Titãs em Ação

Falando em desenho. Sobre o desenho Jovens Titãs, o dublador abriu todo um capítulo, revelando que depois que o desenho passou para uma temática insana criou dificuldade para os dubladores. “Os Jovens Titãs era um episódio com uma história dentro do universo deles de heróis. Não sei o que aconteceu com produtor americano que resolveu deixar as coisas bem insanas, mas quem se ferra com isso sou eu, porque o ator original do Robin não sincroniza nada. Eu, sim”, conta

“Uma vez, por exemplo, tive que fazer uma declamação na “língua do P”, eu levei uma hora e pouco. Uma coisa que levo três a quatro minutos, levei mais de uma hora. Então é muito insano esses Jovens Titãs. Eles fogem totalmente de qualquer realidade possível”, riu.

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Dublagem de jogos

Manolo também dubla e é diretor de dublagem de jogos, então quando eu perguntei sobre o que ele achava da polêmica que aconteceu ano passado envolvendo as dublagens da Pitty e do Roger do Ultraje A Rigor, ele não teve dúvida:

“Acho que faltou direção. Pelo que vi, eu não conheço, não sei quem é, o dono do estúdio era o operador e ao mesmo tempo diretor, não tem como. Não tem como jogar nas 11 direções do time, sair como artilheiro e goleiro. É impossível. O dono do estúdio tem que escolher a posição dele, ele se enrolou todo”, comentou. “Lógico que a Pitty e o Roger não são atores, mas ficou pior do que seria se tivesse um diretor. Acho que o trabalho poderia ter sido salvo”, contou.

O dublador comenta que o processo de dublagem de jogos é muito difícil e trabalhoso e é necessário ser feito por pessoas muito qualificadas. “Eu já peguei jogos de mil arquivos, como já peguei o Infinite, que na primeira fase tinha 100 mil arquivos. Dependendo do tipo, a gravação desses 100 mil arquivos pode durar de mil a duas mil horas de estúdio, fora a tradução e edição”, afirmou.

“Uma produtora que está muito boa nesse processo de dublagem é a Blizzard, ela tem um profissional encarregado só da dublagem”, exemplifica.

Para se tornar um dublador

Manolo explicou que para uma pessoa ser dublador é necessário ser um ator primeiro e que isso é uma regra. “Não tem como burlar isso, recomendo também alguns cursos de dublagem. Não sei nas outras cidades, mas no Rio de Janeiro e em São Paulo tem cursos ótimos. No Rio tem no Instituto Artístico Brasileiro (Iab), que é maravilhoso, tem cursos com a dubladora Mabel Cezar, com o Ronaldo Júlio, cuja a aula é fenomenal, já dirigi vários atores que fizeram curso com ele que são excelente”, contou. “Em São Paulo tem a Unidub do Wendel Bezerra que já esteve em Manaus”, completou.

Próximos trabalhos

O dublador revela que em breve vai estrear a animação para adulto (+18) “Festa das Salsichas” com quem ele dublou junto dos comediantes do Porta dos Fundos. “De início achava-se que esse filme não ia para o cinema porque não ia ter público, mas se descobriu que tem e eu tive o prazer de trabalhar com o pessoal do Porta dos Fundos. Ficou muito engraçado o filme”, contou.

Possibilidades

O dublador revelou ainda que gostaria de seguido dublando três atores que dublava no início da carreira. “Eu queria ter continuado à dublar o Chris O’Donnell, o Stephen Dorff e o Ryan Gosling, ter feito todos os filmes deles, mas não consegui”, afirmou.


Comigo estava novamente o gallifreyano Ayrton de Oliveira (esquerda) e se juntou a equipe Robson Loureiro Neojoy (direita), fazendo a filmagem.

Fotos: Respectivamente,  Ayrton de Oliveira e Robson Loureiro (Neojoy) com Manolo Rey

 

Sobre o Autor

é um jornalista, assessor e pau pra toda obra. Adora séries de investigações criminais e o canal Investigação Discovery. Curte: mangás, jogos em geral, Doctor Who, RPG, dinheiro, contar mentiras absurdas (?) e testar a paciência das pessoas. Revés: bipolar.

Comentários

  • Robson Loureiro

    Olha eu. ^^