Jornada nos Cinemas com Fronteiras – A Lenda dos Filmes Legendados

Publicado em 8 de setembro de 2016 | Por Danilo Cezar | Cinema, Envio do Leitor

Se tem algo que pode fazer a diferença no dia de alguém é uma boa sessão de cinema. Quem não curte matar a ansiedade de finalmente assistir aquele filme que tanto esperava lançar? Não importa se o mesmo vai vir dublado ou legendado, certo? Errado! Para muitas pessoas, essa escolha é crucial. É uma escolha do tipo “pílula azul” ou “pílula vermelha”. E para comprovar isso nada melhor do que ir atrás de uma sessão que me agrade. No meu caso, uma legendada.

E como é difícil achar. Talvez mais rara do que um Dragonite. Quando fui comprar um ingresso de forma online, percebi que dos cinco complexos de cinemas presentes em Manaus (Cinépolis, Cinemark, UCI, Cine Araújo e Kinoplex) somente um deles dispõe de sessões legendadas e, em alguns casos, somente à noite. Foi assim que consegui assistir a Star Trek – Sem Fronteiras, por exemplo.

Nada contra quem curte uma película dublada. Eu mesmo gosto e admiro o trabalho de muitos dubladores como os eternos Márcio Seixas e Guilherme Briggs. Tão pouco estou procurando batalhar no ginásio dos “dublófilos”. A estes tenho completo respeito e é energético conversar com alguém que adora dublagem, porque assim sempre trocamos ideias a respeito de adaptações de piadas, contextos e gírias. Aprendo muito nesse brainstorm. A única coisa que me preocupa é o fato de uma pequena fatia das sessões nos cinemas manauaras serem destinadas aos legendados. Busquei provas e fatos do porquê disso estar acontecendo. Às vezes a gente tem que se distanciar do papel para conseguir enxergar o desenho todo com mais clareza.

Na revista mensal “Filme B”, focada em cinema enquanto circuito nacional, encontrei uma pesquisa feita por ela em 2014, fatorando o porquê da tendência dos filmes dublados. Basicamente o crescimento dos espectadores das classes C e D, o costume de ver filmes dublados na TV aberta (fato que influenciou inclusive o consumo na TV fechada) e o fato dos filmes também virem em 3D e com montagens rápidas influenciaram as redes de cinema a se adaptarem aos seus clientes, sendo assim, com muitas cópias dubladas. Inclusive Manaus lidera a lista de cidades cujos habitantes preferem ver filmes dublados. De três milhões e quinhentos mil ingressos vendidos nos cinemas de Manaus em 2014, cerca de 70% deles foram voltados para filmes dublados, enquanto 15% eram para os legendados. A reportagem pode ser conferida com mais detalhes neste link, a partir da página 34.

O que reflito a respeito de toda essa busca (seja ela empírica ou informacional) é que, inevitavelmente o poder da escolha se mantém favorável aqueles que de fato o tem. Ora, nas locadoras haviam fitas dubladas separadas das legendadas. E todo final de semana estávamos lá. Porque no cinema seria diferente? Podem existir poucas cópias, mas pelo menos existem. E é isso que a vida tem de melhor.


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Sobre o Autor

Quando assisti “Batman – O Retorno” pela primeira vez sabia que minha vida mudaria para sempre. Até hoje as pessoas me perguntam porque me dei ao trabalho de assistir “Os Mercenários 2” 13 vezes no cinema.

Comentários

  • Robson Loureiro

    É ridículo não ter opção.

    • Danilo Cezar Araújo De Oliveir

      compreendo, Robson. Chega a ser frustrante estarmos a mercê dos dublados em todo lugar, mas a lei da oferta e da procura é que predomina, então justifica o que acontece hoje =/

      • Robson Loureiro

        O problema é a falta de opção.

  • Eu sou da turma que prefere legendado… mas a vontade da maioria é que manda e como vc bem disse, ainda bem que tem legendado mesmo que pouco…bjss

    • Danilo Cezar Araújo De Oliveir

      certamente é uma realidade nos complexos de cinema de hoje, Belly =/
      Obrigado pela leitura o/

  • Primeiramente feliz em ver o Danilo Cezar escrevendo para o site. Conheço o cara, e ele é nerd de carteirinha.
    Segundo, fora Temer.
    E terceiro, realmente incomoda a falta de opção de filmes legendados. Ultima semana foi uma luta procurar a sessão legendada. Eu amo algumas dublagens e entendo a importância. Mas ver no original, sempre será mais fiel. Pensa no caso do coringa do Heath Ledger, cada entonação, cada trejeito do ator é perdido na dublagem. Isso sem colocar casos horriveis de dublagem, no qual são chamados “não atores” como o Luciano Hulk no Enrolados, que diminui a imersão e a qualidade da projeção.

    • Danilo Cezar Araújo De Oliveir

      Sheik é outro nível kkk
      obrigado pela felicidade…sempre bom fazer brainstorms com essa galerinha do barulho aprontando altas confusões…abraços o/

  • Antonio Fernandes

    isso é mentira, não tem mais opção de filme legendado, por isso, não frequento mais a merda de cinema em Manaus, prefiro esperar sair em blue-ray ou na tv por assinatura.

    • Danilo Cezar Araújo De Oliveir

      Certamente, Antônio, tem sido cada vez mais raro encontrar legendados, mas ainda é possível encontrar alguns, inclusive no Shopping Ponta Negra é o caso incrível de ter quase que 50% das sessões legendadas, o que é um diferencial ^^)

  • Lyan Fernandes

    São seis redes de cinema, faltou o péssimo Playarte.
    Quanto aos legendados, não são minha preferência, mas às vezes faz sentido. Normalmente o público é menor e mais velho, o que torna a sessão muito agradável, evitando aquela gritaria de salas lotadas.
    Frequento uma rede que fica na Djalma/Constantino, onde encontro mais legendados que em outros complexos. Também sempre espero duas semanas depois da estreia pra evitar salas cheias.

    • Danilo Cezar Araújo De Oliveir

      realmente faltou acrescentar a Playarte…obrigado pela observação
      e vc acrescentou pontuações relevantes a respeito das sessões legendadas…sempre bom trocar figurinhas sobre isso o/