Existe uma Tatooine de verdade no universo | Ciência em Pauta

Publicado em 2 de Março de 2017 | Por Yara Laiz Souza | Ciência, Ciência em Pauta, Colunas

 

Sim, há uma Tatooine no Universo, assim como em Star Wars. Um estudo financiado pelo Science and Technology Facilities Council e liderado por Jay Farihi mostra as evidências de que o planeta que orbita dois sóis a 1000 anos-luz de distância de nós é rochoso.

O sistema é chamado de SDSS 1557, mas a conexão com a saga é inevitável. Ao que tudo indica, o planeta é rochoso. assim como o lar de Luke Skywalker. Até então, os pesquisadores achavam que o planeta fosse um gigante de gás como Júpiter.

A estrela anã branca é o núcleo de uma estrela que era semelhante ao nosso Sol. A estrela anã marrom é 60 vezes mais pesada que Júpiter. Uma gira em torno da outra (Créditos: Universidade de Sheffield)

Em outros sistemas de duplas ou triplas estrelas é fácil encontrar planetas gasosos ricos em carbono, mas no caso da nossa Tatooine a riqueza é um alto teor de metal como silício e magnésio. A identificação partiu dos detritos que fluíam para a órbita do planeta em direção a superfície das estrelas. Há nada mais nada menos que 1,1 trilhão de toneladas de matéria rochosa que polui as duas estrelas. Este peso corresponde a um asteroide de pelo menos 4 km de comprimento.

O lar de Luke (Créditos; Divulgação)

“Construir um planeta rochoso ao redor de dois sóis é um desafio porque a gravidade de ambas as estrelas pode empurrar e puxar tremendamente o planeta, impedindo que pedaços de rocha e poeira fiquem juntos e formem o planeta”, comenta Farihi. “Com a descoberta de detritos [oriundos do planeta e que formam pequenos asteroides] estamos conseguindo entender bem como exoplanetas rochosos são feitos em sistemas de duplas estrelas”.

No nosso Sistema solar há muitos asteroides. Os asteroides são os restos da formação de planetas rochosos – no nosso caso, Marte, Vênus, Terra e Mercúrio. No sistema da Tatooine real também há muitos pequenos asteroides que podem ser restos do planeta e de outros que ainda não foram detectados indireta ou diretamente.

A princípio, os cientistas achavam que se tratava de um sistema simples com uma estrela até perceberem que uma delas, a anã branca, escondia a outra, uma anã marrom, em um véu de poeira cósmica e luz. “Sabemos de milhares de sistemas binários semelhantes a SDSS 1557, mas esta é a primeira vez que vemos restos de asteroides e poluição. A anã marrom foi efetivamente escondida pela poeira até que começamos a observar com os instrumentos certos”, conta o Dr. Steven Parsons da Universidade  de Valparaiso e da Universidade de Sheffield.

A equipe fez a detecção química do sistema binário e dos detritos medindo a absorção de diferentes comprimentos de onda de luz utilizando o telescópio Gemini Sul, do Observatório Europeu do Sul (ESO) no Chile.

Via Astrobiology Magazine 

 


Sobre o Autor

amazonense, estudante de Ciências Biológicas, divulgadora científica e faz-tudo da internet (texto, artigo, hangout, video). Saganista, aprendiz de Neil deGrasse Tyson, poeira estrelar fã do Benedict Cumberbatch. Não traz o seu amor em sete dias, mas fala sobre Ciências 24h por dia.

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