As Crônicas de Acheron | Do surgimento dos Míticos Alados e da impureza de coração das dezoito esposas de Orath

As Crônicas de Acheron é uma série de fantasia publicada toda quarta-feira no Mapingua Nerd.
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Os filhos de Orath nasceram na Casa das Mulheres do Palácio dos Censores dos Vilca na alta noite no fim do terceiro mês. Seus risos de alegria assombraram as parteiras do harém e os outros habitantes do lugar. Orath desceu de Bel seguro às costas de seu irmão Gorath para em júbilo, receber seus filhos. Às portas da Casa das Mulheres dos Vilca, o Atemporal dos prazeres lícitos deu três passos para trás e erguendo seu pescoço e movimentando sua grande língua roxa, enrijeceu seus muitos pelos castanhos, dizendo:

“- Abre-te porta desse abençoado harém, pois hoje as terras dos Vilca conheceram a redenção que veio da minha semente. Abre-te porta, para que eu veja com meus olhos o fruto da minha deliciosa alegria a quem doei às minhas dezoito esposas para trazer renovada esperança aos que viverão os tenebrosos tempos do porvir a essa terra. Anda, abre-te porta! Pois há alegria em Bel para receber os filhos de Orath nas alturas dos céus onde habitam bondade e alegria lado a lado com a vida de delícias!”

Ao ouvirem as palavras do Atemporal fálico, Lamech, Lemach e Limeuth abriram os portões da Casa das Mulheres e receberam Orath. Temerosos, os Censores dos Vilca turbaram seus pensamentos em como Orath receberia a notícia que seus filhos nasceram sorrindo (em vez de chorar, como é o costume dos filhos dos homens ao nascimento). Disse, o conturbado Limeuth:

“-Ah, senhor! Te esperávamos já nessa boa hora, pois tuas esposas finalmente conceberam o fruto da alegria lícita que produziste em suas cavidades e em seus ventres! Mas atenta que não compreendemos como teus infantes sobreviverão a tão breve período de concepção e como em face disso ainda sorriem já em sua aurora!”

Orath, já sabedor em sua onisciência a respeito de tal negócio sorriu largamente, exibindo assim seus grandes dentes brancos. Deu três passos para trás e para frente e então respondeu em júbilo:

“- Foi como eu já havia predito em meu coração. Meus filhos seriam reconhecidos por todos os ainda incrédulos que andam desgarrados sobre os olhos de Orath. Saibam que existe mistério grande nisto: que o fruto do Atemporal fálico e de suas esposas, filhas dos homens e puras de sangue e coração, seja visto com assombro por todos os que viveram até esta noite. Que haja conhecimento do mal de coração sobre a existência do Uno e sua morada através da glória de Orath. Agora, sem demora! Tragam meus filhos a mim para que eu possa abençoá-los!

Então foram trazidos os filhos de Orath à presença do Atemporal. Ao ver seus filhos, Orath levantou suas grandes orelhas peludas e levantando seus fortes e peludos braços para cima começou a saltar em círculos e gargalhando disse:

“Uno, recebe meus filhos junto a ti para que eles sejam um contigo como nós já somos um contigo! Que eles subam comigo com o teu auxílio rumo aos meus jardins e lá cresçam com a alegria que emana do teu trono e permeia toda Bel! Permita que eles estejam ao meu lado como ao lado teu estou eu (e meus irmãos) todos os dias desde a eternidade até que se consuma o predito!”

Após Orath dizer tais palavras, os céus que cobriam o pátio e a escadaria que levava à Casa das Mulheres dos senhores dos Vilca paulatinamente começaram a refletir um tipo de luz nunca antes vista em todo o Malgaroth. Os firmamentos e fundações de Bel, já iluminados pelas Chamas da Alegria de Orath, foram ofuscados por luzeiros que vinham do interior das fundações da Cidade Abençoada acendendo e apagando intermitentemente acompanhados de vozes graves e incompreensíveis aos que as escutaram naquela noite. Foi então que se pôde ouvir por toda Acheron poderosa voz inteligível na velha língua dizendo com poder e grande glória as seguintes palavras:

“-Meu irmão Orath, aceito é sua descendência concebida em alegria nos jardins de nossa morada. Volta sem demora com teus filhos para que estejam conosco e no tempo determinado se tornem redentores do mal que há de sobrevir sobre a terra por causa da maldade dos homens construtores que insistem em virar suas nucas aos nossos desígnios!”

Orath se alegrou ao ouvir a sentença do Uno. “Cuidai! Trazei os carros flamejantes dos pátios de Bel para levarem em segurança os filhos de Orath rumo aos meus Jardins das Delícias, pois o Uno assim o permitiu para a minha alegria!” Então, as luzes que penetravam intermitentemente as fundações de Bel e iluminavam a escuridão da noite (que era produzida pela irmã Lua) começaram a se movimentar por entre as fundações da Cidade Abençoada. Por fim, romperam as fundações de Bel e desceram até ao portão da Casa das Mulheres dos maiorais dos Vilca. As luzes eram como carros flamejantes de um fogo que não consumia os que estavam próximos deles. Seres de luz e sem rosto os guiaram de Bel até o Palácio dos Censores. Palavra alguma proferiram até que Orath ordenou:

“-Recolham meus filhos, vassalos do Uno. Levem-nos para junto de nós. Na Cidade Abençoada viverei e comerei com eles em meus jardins e eles crescerão com a força que de mim provém e a pureza que existe no coração de suas mães de sangue puro e inocente. Assim se faça preservado o instrumento de redenção dos Atemporais para o mal que sobrevirá a Terra dos Carvalhos no tempo determinado pelos juízos do Uno a respeito da maldade dos homens que continuamente viraram suas nucas para os desígnios dos Atemporais.”

Então os vassalos do Uno tomaram os filhos de Orath Sinorah, Mokau, Kiléu, Famila, Vilcmah, Beninona, Simarit, Semit, Diriri, Nuh, Siderur, Zitriu, Xituh, Ashiter, Fildenas, Riltrash, Gaduda e Ashimita e levaram até os carros flamejantes. Ao olharem isso, as esposas de Orath (mães dos infantes de Orath) em alto clamor choraram por seus filhos pois eles agora não estariam mais com elas e sim com seu pai Orath. E por conta disso o coração das esposas de Orath já não era mais puro pois elas passaram a odiar o Atemporal fálico por levar seus filhos para seus jardins em Bel.

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Assim os filhos de Orath foram levados à Cidade Abençoada para serem criados aos pés de seu pai Atemporal (em seus jardins) e sob o cuidado do Uno. Porém, o coração das esposas de Orath já não era mais puro por conta do seu ódio do Atemporal fálico.

Ao saber do ódio de suas dezoitos esposas o Atemporal fálico muito se enfureceu em seu coração e em sua mente por tamanho malfazejo. De seus jardins em Bel e com seus filhos aos seus pés em noite iluminada pela deusa da noite (a irmã Lua) Orath (após um grande salto) deu dois passos para frente e um passo para trás e (em sinal de desaprovação) sentenciou:

“- Ódio do que te bem fez e que com amor te tratou não se devolve em troca. Caia sobre si a praga reservada para que com justa prenda seja bem paga, mulheres outrora amadas!”

Então sobre Amelá,  Derach,  Sounit, Cinepit, Sefarit, Etrich, Jedil, Maliq, Policuat, Illil, Jeúd, Suaba, Liput, Mitrileh, Matril, Silbesh, Ashimita, Buedah recaiu a predição de Orath, e sobre as filhas dos Vilca sobreveio praga de podridão. Assim, as esposas de Orath mudas se tornaram. E sua pele já não era mais do viço de antes. Sobre as filhas dos Vilca de sangue outrora bom sobreveio maldição que somente os de sangue ruim recebem dos Atemporais. E sua pele branca se tornou como a neve que recai no inverno das Terras Proibidas. E o branco reluzente da pele das esposas de Orath era como areia de prata  do Clahtemariaeh em seu passado glorioso, pois da pele das mulheres de Orath agora lágrimas em forma de areia derramavam para onde quer que elas fossem.

Tamanho medo sobreveio sobre o palácio dos Censores dos Vilca, pois eles temerosos se tornaram ao se depararem com terrível praga. Assim,  Lamech, Lemach e Limeuth sobre tal negócio elucubraram entre si, dizendo:

“- Não é bom que as mulheres de sangue ruim permaneçam na Casa das Mulheres pois sobre nós pode também recair tamanha praga pelo seu malfazejo contra nosso pai Atemporal. Tomemos elas e as lancemos às portas de nossas terras. Assim Orath se agradará de nosso povo e estaremos livres de semelhante predição.”

Então foram lançadas às fronteiras da habitação dos Vilca Amelá,  Derach,  Sounit, Cinepit, Sefarit, Etrich, Jedil, Maliq, Policuat, Illil, Jeúd, Suaba, Liput, Mitrileh, Matril, Silbesh, Ashimita, Buedah que contaminadas o ódio contra Orath agora despejavam o que restava de seus corpos em forma de grãos brancos de lamento  sobre os arredores do Malgaroth.  Seus corpos lentamente se esfacelaram em forma de lágrimas brancas endurecidas pelo ódio contra Orath. Em seus corações diziam para si:

“- Pesada foi a predição de nosso esposo para conosco. Nada falamos mais, porem gritar e gemer ainda nos é permitido. Venham, vamos aterrorizar os nossos irmãos e irmãs! Nossas essências não irão se lavar no Acherontis, pois em obstinação a Orath incutiremos ódio e medo nos animais que aqui vivem, e todo animal que na terra dos Vilca viver será atormentado e assassinado. Assombremos pois todo o Malgaroth para todo o sempre.”

Assim a essência das  dezoito esposas de Orath se rebelaram contra o Atemporal Fálico. O ódio e o medo que outrora  subsistia apenas no coração  das esposas de Orath se misturou às terras do Malgaroth, contaminando toda sorte de erva da região. A erva então passou a atormentar os insetos e animais que delas se alimentavam, contaminando-os com ódio e medo. Os animais (agora odiosos de si mesmos) passaram a se devorar e atacar toda forma vivente no Malgaroth. As feras conhecidas a partir desse episódio passaram então a assaltar as terras dos Vilca, destruindo os corpos dos animais que proviam alimento ao povo das planícies de Acheron em ofensa ao Uno e os Maiorais. 

O desmedido ódio (das esposas de Orath) também era levado pelo Vento junto à areia do agora árido Malgaroth, se espalhando por todo o Clahtemariaeh, transformando a planície de solo reluzente em um grande e árido deserto. Assim, ódio e medo chegaram ao Clahtemariaeh, dizimando, erva, árvores e animais que ali habitavam.  A essência atormentada das esposas de Orath agora pelas planícies das fronteiras dos Vilca vagava, aterrorizando (com seus gritos e gemidos) e assassinando viajantes incautos que pela região se aventuravam. Assim se estabeleceu o antítipo humano da maldade (que haveria de vir) de Draemoniach em Acheron.  Grande mistério está aqui: que como o ódio fomentando no coração do homem pode subsistir após se cumprir o ciclo.

Continua…

Sobre o Autor

perdeu as contas de quantos mantras realizou para zerar aos onze anos Faxanadu. Suas habilidades crescentes já na infância o levaram a fazer uso da Master Sword todas as vezes em que houve necessidade (desde a Criação até a Era o Caos e da Prosperidade). Atualmente anda às voltas com os reinos de Boletaria, Lordan e Drangleic porém nunca esquecendo que deve estar de pé às seis para levar luz àqueles que necessitam. Gosta de caqui, sustos, games, comida-que-mata, poesia, pringles, fantasia-fantástica, pôr-do-sol... e Pepsi! Não necessariamente nessa ordem.