Análise: Stranger Things 2 é do jeito que os fãs queriam

Publicado em 30 de outubro de 2017 | Por Ayrton de Oliveira | Críticas, Séries

O sucesso absoluto que é Stranger Things só vem a crescer cada vez mais. A série, que ganhou sua primeira temporada no ano passado, fez bastante barulho e virou uma queridinha entre telespectadores do mundo inteiro. Muito se questionava sobre a sua segunda temporada e como os roteiristas iriam se virar para manter a qualidade e o ritmo da série. Em sua temporada mais recente, Stranger Things brilha trazendo as crianças de volta para enfrentar novos desafios.

Em seu retorno, podemos ver o quanto as crianças cresceram e o quanto a harmonia entre os atores aumentou. De cara, nos deparamos com os protagonistas procurando por dinheiro em diversos cômodos da casa para comprarem algumas fichas para passar um tempinho no arcade, clássico anos 80.

Dessa vez, acompanhamos como anda a vida de Will após os eventos da primeira temporada, o tanto que esperamos para ver o menino brilhar valeu a pena. Agora o garoto tem alucinações que o perturbam e, como se fosse pouco, também sofre bastante sendo observado diariamente pela mãe e pelo irmão, que não o deixam mais sair sozinho ou andar de bicicleta com seus amigos. Os problemas de alucinações de Will começam a ficar maiores e isso é o que guia a temporada para o seu desfecho final, onde as crianças vão ter de enfrentar novamente os perigos do mundo invertido.

De outro lado temos Mike, Lucas e Dustin que brilham do seu próprio jeito (principalmente esse último que se tornou o dono da nova temporada), as crianças continuam unidas e agora estão ainda mais preocupadas com o Will. Para compor o grupo de amigos, somos apresentados a Max (ou Mad Max), uma garota nova que chegou na cidade e resolveu andar junto aos rapazes. Mike é o único do grupo a ter problemas de confiança com a Max, já os outros dois se encontram no meio de uma disputa para chamar a atenção da garota.

Nessa temporada observamos o quanto as crianças ainda são crianças e não tem como desejar que isso fosse o contrário, vemos situações como a Eleven ficando de castigo e agindo revoltada batendo a porta na cara de Jim Hopper, que agora é uma figura paterna para a criança, temos o curioso Dustin que acha uma pequena espécie de animal desconhecido para criar, contamos com Lucas descobrindo um pouco mais sobre o amor, Mike que se preocupa fortemente com seu melhor amigo e Will que resolve deixar algumas coisas para si próprio. 

Um dos pontos altos da série são os arcos pelos quais cada personagem passa, a temporada inteira é conduzida com enorme maestria onde cada personagem tem seu tempo para brilhar. No núcleo dos adolescentes, vemos Nancy e Jonathan correndo atrás de informações para finalmente revelar o que aconteceu com a Barb na primeira temporada; Steve começa a fazer parte do grupo de pessoas que sabe dos acontecimentos do mundo invertido e também vemos a chegada de Billy, o meio irmão de Max, que assume o atual papel de bully da cidade de Hawkins. Já no núcleo dos adultos, Joyce agora possui um par romântico e luta fortemente para que seu filho fique melhor e Jim Hopper, além de cuidar da Eleven e de ajudar Joyce a tomar conta de Will, continua sendo um bom policial tentando melhorar a vida dos habitantes de Hawkins.

Perto do final da temporada temos um episódio semi-filler que dividiu opiniões, porém traz bastante informação sobre o mundo fora de Hawkins e nos deparamos também com uma breve possibilidade de vermos outras pessoas que foram cobaias de experimentos, assim como Eleven. A série, assim como um filme, se dividiu em três atos onde a temporada inicia trazendo informações da temporada passada e acrescenta novos problemas, no segundo ato vemos os problemas tomando forma e no último arco vemos o desenrolar da trama, tudo com calma, tudo ao seu tempo.

Alguns fãs podem se frustrar um pouco por esperarem uma ameaça muito maior que o Demogorgon, porém mesmo que as novas ameças sejam reais e tão perigosas quanto, o grande monstrão que foi mostrado nos trailers foi chutado para escanteio e, com sorte, talvez venha a brilhar de verdade em uma futura temporada.

O suspense e a comédia dividem a tela, a série chega a se perder um pouco quando começa a repetir a dose da primeira temporada onde vemos que agora a série faz paródias sobre si própria, mostrando pouca originalidade, mas nada que faça com que a temporada perca o foco. Em seu retorno, Stranger Things conseguiu fazer uma nova temporada que completou a primeira e acrescentou muito mais na mitologia da série. Agora só resta esperar que a terceira temporada possa manter seu nível e não demore tanto assim para estrear.


Sobre o Autor

Apaixonado por filmes, costumo ser o Batman nas horas vagas e San Junipero até às 00:00. Sou fascinado por Doctor Who, queria ter uma caixa azul maior por dentro e o fogo anda comigo. Fora isso, já falei que amo filmes?

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