10 coisas que o Mapingua Nerd fez por mim e que você não faz a menor ideia | Acônito Lapelo

Publicado em 31 de dezembro de 2015 | Por Fernanda Brandão | Acônito Lapelo, Colunas

[ALERTA TEXTÃO]

Esse não é nenhum texto usual, daqueles que se encontra normalmente no Mapingua Nerd. Essa postagem é pessoal porque ela precisa ser. Ainda nos consideramos um blog e blogs nos dão a possibilidade de sermos pessoas reais, que sorriem e choram, e não apenas a cópia da cópia da cópia.

Faço uma referência a um livro/filme no fim do primeiro parágrafo que provavelmente você conhece. Ou não. Ser nerd pode até parecer uma receita de bolo. Mas existem vários bolos por aí e nem todo mundo prefere o de chocolate. E isso é apenas um dos pontos que eu pretendo falar, se tiver paciência, por favor, acompanhe.

É bem provável que você não entenda o real motivo de tudo isso. E nem precisa, na verdade. Sou eu quem preciso. Preciso dessa metalinguagem hoje e peço: não ache que tudo isso aqui não seja sincero e importante. Pra mim.

 

1. Um motivo real pra viver

Pouquíssimas pessoas sabem, mesmo os meus amigos mais próximos, eu tenho depressão. Não é nada corajoso assumir isso publicamente e por muito tempo não entendi o que significava, até procurar ajuda. E ouvi uma ou duas ou três vezes a mesma coisa “você precisa fazer alguma coisa que tenha significado”, “você precisa de um hobby”, “você precisa encontrar algo que te motive”. E, mesmo nunca tendo procurado, eu encontrei. Talvez você não consiga perceber o que o Mapingua Nerd representa pra mim e tudo bem, o objetivo aqui não é esse. Mas pra mim é o “meu motivo” e o que me manteve sã durante mais da metade de 2015.

 

2. Pessoas boas, pessoas más

Conheci um milhão de pessoas. E até hoje eu me assusto com a quantidade de gente que me adiciona no facebook e nas outras redes sociais. Pessoas de todos os tipos. Mesmo. Pessoas que elogiavam meu texto, nosso conteúdo, que me convidavam para entrevistas, que agradeciam por tentarmos, que sugeriam pautas… Assim como também tive contato com pessoas que ‘tacaram o pau’, sem dó, apenas porque podiam. Pessoas que disseram que não daria certo, pessoas que se aproximaram por algum interesse, pessoas que pedi ajuda no começo e que viraram as costas. Pessoas, inclusive, que me assediaram e desrespeitaram muito provavelmente porque eu era a única mulher da equipe. Duvido muito que os rapazes do blog receberam qualquer tipo de manifestação do gênero.

Importante: Eu amei conhecer e me aproximar de todos que fazem parte da equipe do Mapingua Nerd. Sem rasgar seda, eles todos são incríveis e espero tê-los sempre por perto.

 

3. Só dá certo porque amamos isso tudo

É um clichê e eu sou cheia deles, desculpe. Mas eu tive alguns desafios ao longo desses 6 meses que estamos no ar e que muitas vezes quase me fizeram desistir. Briguei feio com alguns amigos e por muito pouco uma amizade incrível e que eu amo não acabou. Tive que cancelar alguns encontros, dividir atenções, tirar grana do bolso, perder a vergonha de falar em público, perder o orgulho e pedir ajuda, pedir ajuda e pedir ajuda. Não foi tão fácil quanto nossas fotografias do instagram parecem. E só estamos aqui hoje porque amamos sermos nerds, amamos escrever, amamos ajudar as pessoas, amamos divulgar o trabalho dos artistas e, principalmente, amamos uns aos outros.

 

4. Verdadeiros amigos

Os meus amigos, os meus amigos de verdade, eles ajudaram muito. De tantas formas que eu mal posso enumerá-las. E é tão bom saber que posso contar com eles que me sinto protegida e guiada. Obrigada, eu sei que vocês estão lendo.

 

5. Começar é o primeiro passo

Parece óbvio, mas nem todo mundo se dá conta disso. Se algo parecer difícil ou improvável, arrume um jeito de começar. Depois corrija, altere, ouça opiniões e recomece se for o caso. O blog não se criou sozinho, não teve planejamento prévio. A ideia surgiu, na semana seguinte estava no ar. Ou quase isso. Estava no ar para mim, para o Thiago e para o Erlan. Depois de concebida a ideia, ajustamos, trocamos, refizemos. Uma dica valiosa aqui: empolgação é contagiante. Por isso fazer algo que tenha sentido e que seja um desafio pessoal é muito importante.

 

6. Uma grande idiota

Confesso. Eu me senti uma grande idiota muitas vezes. Tem tanta coisa que eu ainda não li ou assisti. Tantos eventos e lugares que ainda não estive. É tão frustrante não saber tudo sobre tudo. Odeio não conhecer essa ou aquela HQ incrível que “como-assim-você-nunca-leu?!” Mas o pior de tudo isso é ser julgada exatamente por isso. E daí eu volto ao que eu quis dizer no segundo parágrafo desse texto: peraí, eu não sou obrigada a saber de tudo não.

Eu gosto de Harry Potter. Sim, é infantil, sim, tem falhas. E acabou, sou eu. Qual o problema de sermos diferentes? Aparentemente, para muitas pessoas, isso é alta traição. Você não pode errar o nome de um personagem, não pode se esquecer da piada que o Coringa contou na criação do Alan Moore, não pode dizer que prefere Cthulhu a D&D. O que tá acontecendo com esses caras?

 

7. Tudo, menos tédio

Eu entrei em contato com vários sentimentos durante todo esse tempo que o Mapingua Nerd está no ar. Menos o tédio. Sempre tem algo pra fazer, algo pra conhecer, uma referencia pra buscar e deixar aquela postagem bem mais bacana de ler. Tem pessoas incríveis para conhecer, artistas e escritores talentosos para entrevistar. Tem novidade toda hora e toda hora desejo que essa hora dure um pouco mais porque o medo de não dar conta ou de decepcionar quem vai me ler é imenso. Tédio, definitivamente não.

 

8. Quase famosos

Não sei lidar com isso. Não sei não postar textão feminista no facebook porque pode chatear quem começou a me seguir pelo blog. Não sei não falar palavrão na entrevista da TV. Não sei não ficar magoada com as coisas que me magoam. Não sei receber elogio. Não sei se saberei lidar com tanto bombardeio se eu falhar. Eu sei que não sou uma rock star, longe disso. Embora eu tenha muita vontade de me provar, a exposição não me é familiar e estou dividindo isso com você porque talvez eu erre ou fale uma besteira e isso é bem complicado pra mim.

 

9. Não deu

Ok, eu não estou aqui para falar dos meus relacionamentos e você tampouco quer ler sobre eles. Mas acontece que… bem, o meu namoro de pouco mais de três anos terminou de vez, parte pela rotina que dediquei ao Mapingua. Os assuntos não eram mais os mesmos, o tempo de convivência diminuiu também.

Claro que outros motivos, todos acumulados, fizeram com que chegássemos a conclusão de um “Tentamos, não foi? Não deu”. Difícil mesmo é perder aquela pessoa que dividia planos para dominar o mundo e as mais polêmicas opiniões sobre séries, filmes, livros e todo o resto. No momento eu estou sofrendo sim e talvez sofra por mais algum tempo.

 

10. Babaca: não seja

Se tem uma coisa que eu aprendi nesse tempo todo foi como não ser uma babaca. Primeiro, sempre vai ter alguém que vai achar o que você faz uma merda. Paciência, ninguém é obrigado. Nem você, acredite. 

Receber críticas quase nunca é ruim. Se for construtiva, construa. Se for maldosa, sorria. Não vale a pena esquecer tudo de bom em detrimento de um ou outro ‘espertinho’. Pelo menos eu estive realizando o meu sonho esse tempo todo, tentando transformar alguma coisa, contribuir. Quando você está em paz, ser babaca com os outros nem chega a ser uma opção.

 


Não sei como terminar esse texto, honestamente. Só tenho a agradecer se chegou até aqui. Com certeza você me conhece um pouquinho mais agora. E, ah! Feliz 2016, ok?


Sobre o Autor

é especialista em Artes Visuais, Publicitária e Editora. Também é uma dos fundadores do Mapingua Nerd. Escreve menos do que gostaria e torce pelo Holyhead Harpies.

Comentários

  • Elvys da silva benayon

    Parabéns pela coragem em escrever esse texto, provavelmente não foi fácil. Espero que eu seja um desses amigos a quem vc se refere. Gostei muito de te conhecer e hj em dia admiro muito as coisas que faz. Continue assim, está no caminho certo e não desanime: dias melhores virão. Continue a nadar!!! 😉

    • Fernanda Brandão

      É claro que você é um desses amigos a quem eu me referi. Tu és parte da minha vida e vou te levar no coração pra sempre, seu urso.

      • Elvys da silva benayon

        😛

  • Leo Rocha

    O mais legal do blog é justamente que tem lugar para todos, então vocês serem diferentes é realmente maravilhoso.

    Eu conheci o blog quando estava reinventando minha vida, ele realmente te faz sentir essa vibe de que fazemos parte de algo. Mostra realmente o comprometimento de vocês com os leitores e acredito que seja uma tamanha satisfação ver o reconhecimento desse esforço e desses sacrifícios.

    Tive um brevíssimo contato com você no evento de star wars que aconteceu na Saraiva e você realmente é uma pessoa encantadora, assim como todos do blog que cheguei a conhecer. Também é algo inspirador ver a paixão que todos vocês depositam aqui, que apesar de tudo ainda é um empreendimento.

    Uma coisa que aprendi pessoalmente é que não vale muito a pena se condicionar a situações desagradáveis, ficar caladx para não desagradar alguém, abrir mão de coisas, é melhor falar, reclamar, mesmo que cê pareça louca ou afaste alguém, mas pelo menos cê ta sendo ouvida e está controlando sua vida. A gente se ilude que existe esse lance de ceder, né, até existe, mas o que é mais importante é aceitar e compartilhar. Seja com ele ou com outra pessoa, cê vai encontrar alguém que vai compartilhar as coisas que cê ama.

    Pessoal do blog, parabéns, o trabalho de vocês é muito bom.

    • Fernanda Brandão

      Obrigada, obrigada, obrigada. Ler o que você escreveu me deixou muito serena e tu nem imaginas o quanto me fez bem. Do fundo do meu coração, obrigada. <3

  • Mario Nakamura

    Simpatizo com tanta coisa que vc escreveu, Ferr.. Pq coisas semelhantes aconteceram comigo tb.
    Tb sofro de depressão há algum tempo e Td ficou mais complicado com um término de namoro conturbado.
    Eu sempre tive aquela vontade de explorar minha criatividade e deixar um legado disso. Sempre sofria calado naqueles fins de tarde de domingo com aquela sensação de que a vida está passando e não estou vivendo como deveria.
    E foi num desses domingos que vi a postagem do Mapingua Nerd procurando pessoas pra se juntar à equipe e resolvi tentar.
    Não, não acho q me curei da depressão e não resolvi minhas pendências antigas.
    Mas agora existe um lado que luta contra tudo isso. Pq me sinto vivo e útil.
    Sinto que sou parte de algo grande com pessoas legais que querem se divertir.
    Muito obrigado mais uma vez pela oportunidade.

    • Fernanda Brandão

      É, acho que você me entende um pouquinho. Pra nós, não é muito fácil não ter algo que valha a pena, não é? Que bom que você encontrou um pouco disso também. E, ó, não precisamos de namoradxs. Somos Jedis agora.

      • Mario Nakamura

        não, não é muito fácil, de fato.
        mas é isso ai! vamo c jedi =)

  • Alberto Carvalho

    Excelente texto Ferr! Compartilho de algumas coisas que vc disse no texto, sou longe de ser seu amigo mais próximo, mas fico muito contente de poder fazer parte dessa equipe e muito feliz de contribuir, nem q seja uma fração de midi-chlorians, p seu trabalho. Espero que o blog cresça muito e muito mais, e obrigado pela chance de fazer parte de tudo isso!

    • Fernanda Brandão

      Eu é que te agradeço por acreditar junto comigo que tudo isso pode dar certo. Não é o mais próximo, mas 2016 tá aí pra isso. <3

  • Anderson Green Devil

    Eu simpatizei bastante com o que você escreveu feerrr, parabéns pela coragem, poucos tem… Fico bastante feliz em poder trabalhar com vc. Em 2016, “alguém nos segure!”

    • Fernanda Brandão

      Você é uma grata surpresa, menino Anderson. Obrigada por entrar no Mapingua e, sobretudo, fazer parte da minha vida. Nesse texto não tinha nada de coragem e sim muito medo. Mas tá tudo bem, confio em todos vocês.

  • Dreka Moreira

    Não sou do tipo que gosta de falar coisas pessoais em público, mas eu tenho plena convicção de que você me compreende assim como te compreendo. Portanto, você entenderá minhas palavras: Tamo junto!

    Fica bem! Tô aqui… Sempre!

  • Mônica Aensland

    Nossa quem a vê pelas redes sociais nem imagina que tu passas por isso, também passo por algumas dessas coisas, tamos aê, acho que o melhor jeito de diblar a depressão é ocupar ao máximo a mente seja com hqs ou livros o que tiver. Feliz 2016 o/ http://www.garotajedi.com

  • Juçara Menezes

    Adorei o textão, Feh! Não fazia ideia das coisas ruins, mas estou muito feliz pelas boas. Espero realmente fazer estar nos dois momentos. Conte comigo, mapingua-mor!

  • vou te dar um coração pela coragem <3 e outro coração pelo sucesso <3

  • Pingback: Minhas metas nerds para 2016 – Mapingua Nerd()